Montevidéu – O número de inscritos para comprar maconha em farmácias no Uruguai cresceu mais de 75% em menos de dez dias. Passou de 4.893 no dia 19 de julho, quando começou a comercialização, para 8.585 na última sexta-feira (28). Esse montante já supera o de autocultivadores (pessoas que têm autorização para plantar cannabis em casa), que é de 6.946. Os dados são do Ircca (Instituto de Regulação e Controle da Cannabis), órgão governamental responsável pelo sistema.

Após a entrega inicial, os estoques de maconha das farmácias de Montevidéu se esgotaram no mesmo dia, e um novo lote foi entregue após cinco dias. Novamente a demanda foi maior do que a oferta. "De cada 10 ligações que recebemos, 9 são para saber se já temos maconha de novo", contou à reportagem a funcionária de uma farmácia de Montevidéu que não quis se identificar.

A frequência irregular de distribuição deve permanecer até que o instituto termine as primeiras avaliações do processo, no que vem chamando de "curva de aprendizagem", e introduza no mercado outras quatro variedades com THC (componente psicoativo da maconha) mais alto, de até 4%, e um maior número de estabelecimentos associados.

PROCESSO
Em Montevidéu, há cerca de 380 farmácias, segundo o Centro de Farmácias do Uruguai. Desse total, apenas quatro aderiram ao plano do governo. Os estabelecimentos vendem duas variedades de flores de maconha em estado natural, embaladas em pacotes de 5 gramas. Atualmente duas empresas cultivam a planta no país e têm capacidade de produzir quatro toneladas anuais para consumo interno.

A iniciativa é a terceira e última etapa da política de estatização da produção, venda e distribuição de maconha, iniciada com o ex-presidente José Mujica, em 2013. A primeira fase começou com a liberação do autocultivo. Depois, veio a regularização dos clubes de cannabis, onde até 45 pessoas podem se reunir para cultivar e compartilhar a droga. Estima-se que 160 mil uruguaios consumam maconha.

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