ANSA
De Londres
Quase um ano depois da prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet na capital britânica (16 de outubro), a Justiça britânica iniciou ontem a fase final do processo de extradição do general chileno (ele não compareceu à audiência, alegando problemas de saúde) para a Espanha, ouvindo as acusações de violação de direitos humanos, tortura e conspiração feitas, por escrito, pelo juiz espanhol Baltasar Garzón. ‘‘As denúncias figuram entre as mais graves já feitas neste tribunal’’, disse o promotor Alun Jones antes da leitura de relatório de 35 páginas de Garzón que apresenta os métodos de tortura aplicados pelo regime militar chileno em seus opositores.
‘‘Choques elétricos (principalmente nos órgãos genitais), interrogatórios intensos com as vítimas nuas, suspensão pelos pés ou pelas mãos, afogamento por imersão da cabeça na água, roleta-russa, privação de alimentos, de sono e de água, golpes, mordidas de cães, detenção prolongada em celas sem luz, ameaça de morte e longa espera de pé (de até 48 horas) em paredões de fuzilamento, com olhos vendados, para provocar o pavor de execução iminente, eram alguns dos meios de tortura aplicados no Chile’’, enumerou o promotor, dirigindo-se ao presidente do tribunal, o juiz Ronald Bartle.
Contudo, por força de uma sentença da própria Justiça britânica, Pinochet só poderá ser julgado por crimes de tortura cometidos a partir de setembro de 1988 – data em que a Grã-Bretanha aderiu oficialmente à Convenção Internacional Contra Tortura.

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