France PresseAlemán, já com a faixa presidencial, sauda o povo ao lado de seu vice

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Arnoldo Alemán, prometeu ontem, ao assumir o poder por um período de cinco anos, atender prioritariamente aos grandes problemas sociais, reativar a economia e consolidar a institucionalidade democrática deste país centro-americano.
Num discurso de mais de uma hora, feito ante 20.000 assistentes da cerimônia no Estádio Nacional de Beisebol, em Manágua, Alemán se comprometeu a fortalecer a empresa privada e a não esmorecer ‘‘na luta contra o flagelo do desemprego e da miséria’’, o que classificou como o seu ‘‘mais sagrado compromisso’’.
Alemán, que substituirá na presidência Violeta de Chamorro, depois de vencer as eleições de 20 de outubro passado, reiterou um apelo à oposição, particularmente à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), para que com um diálogo aberto seja possível buscar ‘‘soluções conjuntas para os problemas nacionais’’.
Na cerimônia da transferência de poderes estiveram ausentes os representantes da FSLN - grande perdedor nas eleições -, pois não reconhecem o novo governo e afirmam que é produto de uma fraude eleitoral.
Apesar de seu apelo ao diálogo, Alemán advertiu que ‘‘nada nem ninguém nos amarrará as mãos para nos impedir de governar, e levar a cabo os programas econômicos e sociais prometidos aos nicaraguenses na campanha eleitoral’’.
‘‘O povo quer a descentralização e modernização do Estado em todas suas instâncias, espera também a dignificação do dia-a-dia político e a recuperação de sua credibilidade e respeito’’, disse Alemán, advogado e empresário do café de 50 anos de idade.
O novo governamente reafirmou seu propósito de fazer uma profunda reforma da Constituição do país, a fim de modernizar concepções que, como ele diz, correspondem a ‘‘tempos e circunstâncias superadas’’.
No plano econômico, a ação do novo governo estará encaminhada para fortalecer a produção agrícola, a indústria automobilística e o turismo.
Segundo Alemán, em seu governo será fomentado o desenvolvimento da produção e das exportações, mas também se lutará contra a evasão fiscal, a corrupção e ‘‘a vergonhosa e maciça invasão do contrabando’’.
O novo governamente nicaraguense diz que vai realizar uma ampla reforma tributária, promover a poupança e empreender um ambicioso plano de construção e melhorias de obras públicas (estradas, comunicações etc.), assim como de casas populares na zona rural e nas cidades.
Sobre o espinhoso assunto das propriedades confiscadas pelo governo sandinista, entre 79 e 90, Alemán assegurou que os agricultores e pequenos proprietários urbanos beneficiados não serão afetados pela nova administração.
‘‘Repito e asseguro que os pequenos, médios e humildes proprietários rurais, assim como os pequenos donos de propriedades urbanos nada tem a temer’’, disse.

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