Príncipe Charles visita a Argentina
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Ariel Palácios Agência Estado 
Pela primeira vez em seis décadas, um herdeiro da coroa britânica colocará seus pés na Argentina. Em uma visita que está sendo encarada como um grande passo no processo de reaproximação entre os dois países, o príncipe Charles de Windsor chegará hoje a Buenos Aires.
Charles não falará sobre política, mas poderá ouvir sobre o tema. Mas isso não importa para os dois governos: a visita do herdeiro britânico poderá ser puramente cerimonial, mas possui um fortíssimo caráter simbólico.
No governo argentino, comenta-se que será inevitável conversar sobre a disputada soberania das Ilhas Malvinas. No entanto, o Foreign Office, o ministério das Relações Exteriores britânico, declarou que esse tema não faz parte da agenda do príncipe. Mas a agenda pode ser driblada.
Como exemplo, está a visita que o presidente Carlos Menem fez a Londres em novembro passado, quando durante um jantar com a rainha Elizabeth II, encontrou a forma de tocar no delicado tema.
Analistas consideram que esta também será uma das visitas mais delicadas do príncipe Charles. Além da Argentina, o filho da rainha Elizabeth também passará pelo Uruguai na quinta-feira e dali, no domingo, partirá para as Ilhas Malvinas. A visita ao Uruguai servirá para averiguar que possibilidades existem de que sejam retomados os vôos às Malvinas desde esse país.
As ilhas encontram-se em problemas: por causa da detenção do general Augusto Pinochet em Londres, o governo chileno decidiu proibir os vôos desde o Chile até as Malvinas. Esse era o único vôo que os ilhéus possuíam com o continente e é uma suas das poucas fontes de abastecimento.
O ponto principal da visita do príncipe Charles em Buenos Aires será a homenagem que prestará aos soldados argentinos mortos na Guerra das Malvinas. Charles colocará uma coroa de flores no monumento aos mortos na Guerra na Plaza San Martín, em pleno centro da capital. Esse gesto será uma retribuição à homenagem que o presidente Carlos Menem fez aos mortos britânicos a essa guerra na Catedral de Saint Paul, em Londres. O príncipe estará acompanhado por Rick Jolly, presidente da Associação de Veteranos Britânicos.
As associações de veteranos argentinos não pretendem realizar nenhuma manifestação contra a presença do príncipe britânico.


