Os bombardeios norte-americanos contra o Afeganistão, que se intensificaram ao entrar em sua segunda semana, provocaram ontem crescentes críticas por parte dos principais aliados dos Estados Unidos na região, como Arábia Saudita, Paquistão e Indonésia.
Além do Irã, tradicionalmente hostil aos Estados Unidos, vários países muçulmanos da coalizão antiterrorista fizeram críticas sobre a campanha militar dos Estados Unidos no Afeganistão.
O porta-voz do ministério das relações exteriores do Paquistão, Riaz Mohammad Jan, declarou que ''o regime taleban não é terrorista'', e destacou a preocupação de seu país pelas vítimas civis no Afeganistão e pela prorrogação das operações militares norte-americanas.
Por sua vez, a Arábia Saudita, furiosa por ter sido acusada nos Estados Unidos de ''tolerância frente ao terrorismo'', rompeu o silênio que mantinha até agora, manifestando reservas sobre a morte de ''inocentes'' durante a campanha aérea.
A tensão, latente há semanas, explodiu finalmente entre o maior produtor e exportador de petróleo e a primeira potência mundial, aliados há décadas.
Esta é a primeira reação de Riad às repetidas acusações sobre sua falta de firmeza frente ao problema dos terroristas, ou envolvimento no financiameo do terrorismo e sua falta de cooperação depois do atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos.
O ministro saudita do Interior, o príncipe Nayef Ben Abdel Aziz, exigiu provas contra os grupos e pessoas suspeitas de financiar o terrorismo.
Na Indonésia, maior país muçulmano do mundo, a presidenta Megawati Sukarnoputri se afastou dos Estados Unidos, criticando os bombardeios no Afeganistão.
Não obstante, a Casa Branca destacou ontem sua vontade de continuar as operações militares no Afeganistão, com o objetivo de conseguir a rendição de Osama bin Laden, acusado de ser o instigador dos atentados de 11 de setembro, que deixaram 5.500 mortos nos Estados Unidos.

mockup