Primo de Saddam é condenado à morte
Bagdá - A operação Anfal, efetuada no final dos anos 1980 e pela qual ''Ali, o Químico'', primo do ditador iraquiano deposto Saddam Hussein, e outros dois ex-dirigentes de seu regime foram condenados à pena de morte ontem pelo Alto Tribunal Penal iraquiano, foi o ápice de diversas décadas de hostilidade entre os curdos e Bagdá.
De acordo com diversas estimativas, mais de 100.000 pessoas foram mortas e mais de 3.000 povoados, destruídos, durante esta campanha que provocou também o deslocamento maciço da população curda.
Entre 1987 e 1989, vários ataques foram lançados contra os curdos no norte do país, com destaque para o bombardeio com gases tóxicos sobre o povoado de Halabja (norte do Iraque), em 17 e 18 de março de 1988, que deixou 5.000 mortos.
Ali Hassan al-Majid ganhou o apelido de ''o Químico'' justamente por ter chefiado esse ataque, em represália à tomada da cidade por combatentes curdos (peshmengas), apoiados pelos Guardiões da Revolução iranianos.
Com o nome de uma sura, ou capítulo do Corão, que significa ''Espólios'', a Anfal consistiu em bombardeios sistemáticos e ataques com gases tóxicos praticados contra diversas partes da região autônoma do Curdistão em 1988.
Em 1986, vastas áreas da região curda foram libertadas do controle do governo central, submetido a crescentes pressões em razão da guerra com o Irã.
Homem de confiança de Saddam Hussein, ''Ali o Químico'' recebia com frequência a incumbência de executar as tarefas mais sujas do regime.
No início de 1987, o ditador encarregou o primo de manter a região sob seu controle.
No julgamento, aberto em agosto de 2006, ''Ali, o Químico'' reconheceu abertamente suas responsabilidades. ''Fui eu quem deu as ordens ao exército de destruir as cidades'', disse, sem demonstrar remorso.





