PRIMEIRO VÔO - Começa a era do turismo espacial
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de junho de 2004
Pascal Barollier<br> France Presse 
Washington -Um visionário da aeronáutica financiado por um milionário da informática inauguram hoje a era do turismo espacial, enviando para fora da atmosfera um piloto no comando de uma nave que tem como objetivo colocar civis em órbita.
A ''SpaceShipOne'', projeto idealizado pelo engenheiro espacial Burt Rutan e patrocinado pelo co-fundador da Microsoft Paul Allen, será lançada às 6 horas locais, a partir da base aérea Edwards na Califórnia. A meta é subir 100 quilômetros em direção ao espaço, quebrando o monopólio do governo nesta área.
Rutan e Allen desejam colocar as viagens espaciais ao alcance de quem puder pagar por elas.
Se tudo der certo, a nave estará de volta entre as 10h30 e 11H30 locais, aterrissando no meio do deserto de Mojave, segundo os especialistas. O vôo particular tem grandes chances de dar certo em função do teste realizado em 13 de maio passado, quando a nave alcançou uma altura de 211.400 pés (64,43 km).
Comprovado o sucesso do projeto, os organizadores devem repetir a experiência mais duas vezes, com intervalos de quinze dias e três pessoas a bordo. Assim feito, terão cumprido os critérios impostos pela Fundação Ansari X Prize para ganhar 10 milhões de dólares, prêmio ao qual concorrem cerca de vinte equipes internacionais que acreditam no futuro do turismo espacial.
Rutan foi o engenheiro responsável pelo projeto da US Voyager em 1986, primeira nave espacial a dar a volta ao mundo sem se reabastecer. Convenceu Allen, um fã ardoroso da ficção científica, astronomia e espaço, a investir 20 milhões de dólares na ''SpaceShipOne''.
Em princípio, uma passagem para o espaço custaria 100.000 dólares, mas o preço poderá cair abaixo dos 10.000 dólares quando, por volta de 2010, houver outras naves competindo no mercado.
A ''SpaceShipOne'' tem um design extravagante, que deve permitir que suba como um foguete, com velocidade três vezes maior à do som, e depois volte à Terra pousando como se fosse um planador.
O plano prevê que o aparelho decole acoplado em um avião do deserto californiano do Mojave, perto da base Edwards, pioneira no programa espacial americano. Depois de uma primeira etapa de vôo, seu foguete será acionado a 15 km de altura para iniciar uma subida vertical.
O nome do piloto da nave seria revelado ontem. Se tiver êxito, ele experimentará a falta de gravidade por alguns minutos, transformando-se no primeiro astronauta particular: esse será seu título oficial. Também poderá observar a imensidão negra do espaço e a linha azul da atmosfera, como fazem os ocupantes da Estação Espacial Internacional.
Mas ao contrário da estação espacial ou do ônibus espacial, o aparelho não terá velocidade, o que o fará retornar imediatamente à atmosfera. Então sofrerá uma queda livre de 30 km até passar as camadas superiores da atmosfera. Ao chegar às camadas mais densas, sofrerá uma força de sustentação que o colocará em vôo planado.
As características deste vôo - chamado de suborbital - minimizam os riscos na decolagem e o retorno à Terra ilustrados nas catástrofes do Challenger (1986) e o Columbia (2003). O design da nave faz com que ela se comporte bem na fase crítica da reentrada na atmosfera, explicou seu criador, o engenheiro Burt Rutan.
''Desde os vôos épicos de Yuri Gagarin e Alan Shepard em 1961, todas as missões espaciais foram programas governamentais caros e pesados. Nosso programa, ao contrário, envolve poucas pessoas muito motivadas, que tentam fazer com que os vôos espaciais sejam rentáveis'', afirmou Rutan.


