Decolou na madrugada de sábado, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), a nave russa Soyuz, a bordo da qual viaja o primeiro ‘‘turista espacial’’, o milionário norte-americano Dennis Tito, acompanhado pelos cosmonautas Talgat Musabayev e Yuri Baturin.
Apesar dos problemas técnicos (com os computadores) que enfrenta a ISS, a missão russa operou de acordo com o previsto e a nave partiu exatamente às 7h37 (horário de Greenwich). Nove minutos depois, a nave se separou, segundo o planejado, do foguete impulsor e entrou na rota em direção à ISS.
A nave norte-americana Endeavour continua atracada à Estação, uma vez que ainda não terminou sua missão, mas, caso sua partida siga atrasada, os russos informaram que colocarão a Soyuz em órbita, ao redor da Terra, até que fique livre a rampa de atracação da Estação e a Soyuz possa se acoplar.
Dennis Tito é um afortunado: aos 60 anos, depois de anos de sonhos e pela força da obstinação, tornou-se o primeiro ‘‘turista do espaço’’, principalmente porque teve condições de pagar os 20 milhões de dólares, preço da passagem.
O foguete que o transporta junto com dois cosmonautas russos para a Estação Espacial Internacional foi lançado ontem de Baikonur, na estepe do Casaquistão.
‘‘Sempre mais alto’’ pode ser o lema deste milionário empresário norte-americano, filho de imigrantes de origem italiana, saído do nada e que partiu para ir até onde muito poucos homens – apenas 400 – chegaram.
Sua silhueta contraria a aparência do que se precisa para conquistar as cúpulas: baixinho, 1,64 m e 63 quilos, careca, Tito tem contudo o andar resoluto, o olhar inteligente e um otimismo inquebrantável.
Seu fascínio pelas estrelas é uma velha história de amor, que remonta à adolescência, quando viu pela televisão em 1957 o lançamento do Sputnik russo, o primeiro satélite. ‘‘O que vi naquele momento, aos 17 anos, me levou a estudar engenharia espacial’’, lembra.
Em 1964, entrou no Jet Propulsion Laboratory, o centro de investigações da agência espacial dos Estados Unidos (NASA) instalado em Pasadena, Califórnia, onde se encarregou de calcular as trajetórias das sondas Mariner 4 e 5, que viajam a Marte e Vênus.
Tito se informou na NASA sobre o que era preciso fazer para tornar-se astronauta. Mas, consciente da realidade, guardou seu sonho no armário, abandonou seu trabalho mal remunerado e se lançou no mundo dos negócios.
Em 1972, fundou sua prória empresa de investimentos. Antes de chegar aos 40 anos, Dennis Tito já havia acumulado seu primeiro milhão de dólares.
Sua empresa, a Wilshire Associates, é atualmente uma das maiores do país e administra mais de 500 bilhões de dólares de ativos. Sua fortuna pessoal é avaliada em 200 milhões de dólares.
Dennis Tito não esquece seu primeiro amor. Em 1991, durante uma viagem de negócios à ex-URSS, manteve contato com os russos para saber mais sobre as modalidades do ‘‘programa de convidados’’, posto em funcionamento a bordo da estação orbital Mir. Mas o sonho terminou sendo adiado com a desintegração do império soviético.
Em 2000, a MirCorp, uma empresa holandesa que tentava comercializar o acesso à estação Mir, entrou em contato com ele para saber se ainda estava interessado. Em abril, foi firmado um acordo.
Tito começou o treinamento, deixando de lado sua Ferrari e sua luxuosa mansão de 2.800 m2 e seus cinco hectares de terreno em Pacifi Palisades (Califórnia), trocando tudo isso por uma pequena habitação espartana na ‘‘frente russa’’, como os norte-americanos gostam de chamar a Cidade das Estrelas.
Mas Tito continuava com má sorte. Os russos decidiram destruir a Mir, muito cara para manter. Então, Rosaviakosmos, a agência espacial russa, lhe prometeu uma visita à ISS.
Tito sabe que é um pioneiro, abrindo uma nova era, a do turismo espacial. Mas insiste em que seu sonho espiritual de 1.800 dólares por minuto não foi um simples capricho de um homem rico e excêntrico ‘‘que precisa de sensações fortes’’.
Segundo ele, trata-se da necessidade permanente de ‘‘fazer da vida uma coisa mais enriquecedora’’, do desejo natural de ‘‘atravessar novas fronteiras’’.

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