Nova Delhi - O economista Manmohan Singh, primeiro-ministro designado da Índia, destacou como prioridades de seu governo, apoiado pela esquerda, a proteção dos pobres, a paz com o Paquistão e a reconciliação entre comunidades religiosas de seu país. Singh deve prestar juramento no sábado, tornando-se a primeira pessoa da religião minoritária sikh a assumir o comando do governo indiano.
Ele prometeu reformas econômicas com uma ''face humana'' e afirmou que deseja realizar o sonho de Rajiv, o marido assassinado de Sonia Gandhi, que desistiu de assumir o cargo de primeira-ministra: fazer do século XXI, o ''século da Índia''.
Cotado inicialmente para assumir o ministério das Finanças, cargo que ocupou de 1991 a 1996, Singh, 71 anos, foi encarregado na quarta-feira de formar um novo governo, já que Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso, desistiu de assumir a função de primeira-ministra, depois de ser alvo de uma violenta campanha contra suas origens italianas.
Depois da vitória nas eleições legislativas, o Partido do Congresso formou uma coalizão parlamentar com 20 partidos, incluindo os comunistas.''Não tenho nenhuma dúvida sobre a estabilidade do governo'', declarou Singh ontem, que acrescentou que o governo durará cinco anos, ou seja a período total do mandato previsto.
''A Índia precisa dos setores público e privado fuertes'', afirmou, antes de rejeitar claramente as privatizações das empresas ''de caráter estratégico'', citando como exemplos as empresas estatais dos setores de petróleo e gás, assim como os ''bancos nacionalizados''. O ambicioso programa de privatizações lançado pelo governo nacionalista de Atal Behari Vajpayee, foi muito criticado pelo Partido do Congresso durante a campanha.
A Bolsa de Mumbai, cujos bons resultados de 2003 estiveram amplamente ligados às privatizações, reagiu com frieza às declarações de ontem. Depois de abrir em alta de 1,35%, fechou em baixa de 1,48%. Singh, consciente do voto de punição da massa rural contra o poder da direita, prometeu investimentos no campo.
O premiê designado prometeu a paz na Índia. Pediu o reforço da harmonia entre as comunidades religiosas na república laica e ressaltou sua inquietação com os ''atrasos excessivos'' nos processos judiciais relacionados aos atos de violência antimuçulmanos que causaram 2.000 mortes em 2002 na cidade de Gujarat (oeste).

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