Kadobnov/France-PresseQuedaSergei Kiriyenko, que ficou na função apenas cinco meses O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, demitiu ontem todo o gabinete ministerial de Sergei Kiriyenko e designou primeiro-ministro interino Victor Chernomyrdin, anunciou um comunicado emitido pelo Kremlin. Chernomyrdin será chefe de governo pela segunda vez, depois que o próprio presidente o destituiu em março deste ano.
O comunicado do Kremlin não explicou as razões da decisão de Yeltsin. Mas as medidas adotadas na última segunda-feira - desvalorização do rublo e suspensão do pagamento da dívida - irritaram os deputados da câmara baixa (Duma), que propuseram uma mudança de política econômica.
Kiriyenko, de 36 anos, ficou no cargo por cinco meses. Ele herdou uma situação financeira mais que precária, que explodiu na semana passada, quando então teve de desvalorizar o rublo, suspender o pagamento da dívida interna e colocar sob moratória a dos bancos e empresas em relação ao estrangeiro. Isto lhe valeu a cólera dos deputados, furiosos com ‘‘a desvalorização da Rússia’’, aos quais teve de declarar que a crise ‘‘só está começando’’.
A Duma atacou o governo em sua sessão de emergência realizada na sexta-feira, além de aprovar uma resolução pedindo a renúncia de Yeltsin. As especulações sobre a possível volta de Chernomyrdin surgiram nos últimos dias. Segundo a agência de notícias Interfax, o presidente da Duma, Guennadi Seleznev, comemorou ontem a destituição do gabinete de Kiriyenko.
Chernomyrdin, de 60 anos, foi primeiro-ministro por mais de cinco anos, período no qual ganhou a reputação de ser um firme reformista. Logo após a sua destituição, ele anunciou seus planos de disputar a presidência nas próximas eleições. O primeiro-ministro interino tem numerosos aliados entre os dirigentes das grandes indústrias.
Chernomyrdin, que tem sido um fiel seguidor de Yeltsin, é considerado um político moderado. No entanto, durante seu governo, conseguiu limitar os deputados comunistas no Parlamento e negociar com os especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Yeltsin voltará hoje ao Kremlin, após ter tirado mais de um mês de férias. Os analistas concordaram este fim de semana que Kiriyenko estava à beira do precipício político, em um momento em que a crise econômica incitava Yeltsin a ‘‘cortar cabeças’’ e que os deputados exigiam o abandono da política de rigor econômico.

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