São Paulo - O primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, mais conhecido como Abu Mazen, apresentou ontem ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, seu pedido de demissão. ''Abu Mazen expôs os obstáculos que impedem seu trabalho e nos informou que apresentou sua demissão ao presidente Arafat'', disse o presidente do Parlamento, Ahmed Qorei, acrescentando que o primeiro-ministro ''falou de obstáculos internos, israelenses e americanos''.
O pedido foi aceito pelo líder palestino. De acordo com o deputado independente Azmi Al Chueibi, Abbas disse que ''alguns indivíduos no comitê central do Fatah (grupo político de Yasser Arafat) não queriam sua permanência no cargo''.
Abbas foi indicado primeiro-ministro da Palestina em 30 de abril após acusações dos Estados Unidos contra Arafat. As autoridades americanas afirmavam que não iram negociar com Arafat porque ele teria sido corrompido pelo terrorismo.
O plano de paz para o Oriente Médio vem sendo ameaçado pelas constantes divergências entre Abbas e o Arafat. O líder palestino evita dar mais poder ao primeiro-ministro.
O secretário de Segurança Interior americano, Tom Ridge, que ontem estava na Itália, declarou que a saída de Abbas provocará ''um atraso inevitável'' no processo de paz no Oriente Médio. ''A demissão (de Abbas) não irá reduzir os esforços do presidente (George W.) Bush de reunir as partes (em conflito) ao redor de uma mesa para reiniciar as discussões e respeitar as etapas do Mapa da Paz'', afirmou Ridge em Cernobbio, onde participa em um foro internacional.
''Agora, temos que ver o que vai acontecer, mas, para os Estados Unidos, Arafat não é um parceiro porque não participou do processo de paz como deveria ter feito'', acrescentou Ridge.

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