Associated Press
De Tóquio
Depois de esconder a crise do público por quase um dia inteiro, o secretário do gabinete do governo japonês anunciou ontem que assumiu o comando do país como chefe do governo em exercício, já que o primeiro-ministro Keizo Obuchi está sob tratamento intensivo depois de ter sofrido um derrame. Obuchi, de 62 anos, foi internado no Hospital da Universidade de Juntendo, em Tóquio, na madrugada de domingo, depois de reclamar de fadiga. Ele está em estado de coma e respira através de aparelhos desde que deu entrada no hospital.
Ontem, a TV Tokyo Broadcasting System chegou a anunciar que havia sido confirmada a morte cerebral de Keizo Obuchi. A TV divulgou que o coração dele batia mas sem as mínimas esperanças de recuperação. A informação foi desmentida pelo governo no início da noite. Akitaka Saiki, subsecretário de imprensa do primeiro-ministro, declarou que Obuchi está em estado de coma e que a situação clínica dele permanece estável.
Aoki disse que o estado de saúde de Obuchi é grave e que ele não será capaz de voltar ao cargo em breve. Ele informou que o primeiro-ministro piorou logo depois do encontro que os dois tiveram no hospital, na manhã de anteontem. Aoki disse que Obuchi pediu a ele para que assumisse a liderança do país. A hospitalização de Obuchi não deve ter qualquer impacto imediato sobre a política japonesa porque o partido do primeiro-ministro continua no controle. Mas há preocupações de que, se prolongada, a ausência do primeiro-ministro pode impedir que o Japão seja a sede da reunião do G-8, que acontece no país em junho.
Além disso, pode antecipar as apostas sobre as eleições parlamentares, que estão programadas para outubro. Os jornais locais também fazem suas especulações sobre a sucessão de Obuchi e apontam o ministro do exterior, Yohei Kono, e o secretário-geral do partido Liberal Democrata, Yoshiro Mori, como possíveis substitutos do primeiro-ministro. Porém, a maior preocupação para muitos refere-se ao tempo demorado para que o problema com o primeiro-ministro fosse revelado. ‘‘Por que eles esconderam a crise?’, perguntava a manchete do Asahi, um dos mais importantes jornais japoneses.
A doença de Obushi só foi divulgada 22 horas depois que ele deu entrada no hospital. O anúncio inicial de Aoki sobre o estado de saúde de Obuchi na noite de anteontem durou apenas quatro minutos e ele se recusou a dar maiores detalhes sobre o assunto.
A segunda coletiva do secretário de gabinete teve duração de menos de 15 minutos e não ofereceu muitas informações adicionais. Aoki e altos membros do partido encontraram-se durante a noite para discutir a situação. Aoki disse que visitou Obuchi no hospital na manhã de domingo e que o primeiro-ministro pediu a ele que se tornasse o primeiro-ministro em exercício. Ele informou que o anúncio não foi feito antes porque os funcionários do governo não sabiam das reais condições de saúde de Obuchi.
‘‘Acreditamos que agimos com a devida cautela’’, disse ele. ‘‘Quando eu o vi (na manhã de domingo), ele estava calmo e era capaz de falar. Sua saúde piorou depois disso’’. Obuchi esteve sob fortes pressões na última semana. Ele teve de lidar com a erupção vulcânica no norte de país e com problemas com sua coalizão de governo. Na última semana, ele viajou para o sul do Japão para inspecionar os preparativos para a reunião do G-8. Embora a coalizão tenha sido rompida no último sábado, o partido de Obuchi, o Democrata Liberal, continua a ser o mais forte no parlamento e sua presença no poder não está em perigo.

mockup