O primeiro-ministro japonês Yoshiro Mori oficializou ontem sua demissão e iniciou uma disputa em prol de sua sucessão, na qual os candidatos – espantados com as provas políticas e econômicas que deverão enfrentar – brilham por sua ausência. Mori, o oitavo primeiro-ministro japonês desde 1990, pôs fim a um mês de confusão quando confirmou sua partida, que havia sido anunciada indiretamente por ele em 10 de março passado.
O nome do sucessor deve ser conhecido no dia 24 de abril, ao final de uma pequena campanha para eleger o novo presidente do Partido Liberal Democrata (PLD), formação central da política japonesa. Este último será em seguida eleito primeiro-ministro pelos deputados, provavelmente no dia 26 de abril, e imediatamente formará seu governo.
Yoshiro Mori, que está há um ano no poder, não deixou o cargo à toa. Trata-se de um dos primeiros-ministros mais impopulares do Japão. Atualmente o índice de apoio à sua gestão é inferior a 10%. Sua incapacidade e a do PLD para responder às expectativas populares e à degradação da economia aumentaram a desilusão dos eleitores.
Seu sucessor terá a enorme tarefa de enfrentar este descontentamento em eleições senatoriais previstas para o final de julho. Uma derrota do PLD, já prognosticada por alguns especialistas, o condenará à demissão ao final de apenas três meses no poder.
Este difícil contexto cria dúvidas em torno de potenciais candidatos, e nenhum político se manifestou até o momento, apesar das discussões serem ativas dentro das diferentes tendências do PLD.
Nestas circunstâncias, o partido poderá nomear o chefe de sua principal facção, o ex-primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto, de 63 anos.
Um retorno ao primeiro plano político seria uma revanche para Hashimoto, depois de ter sido obrigado a se demitir depois de sua arrasadora derrota nas eleições senatoriais de 1998.

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