O primeiro-ministro da Iugoslávia, Zoran Zizic, renunciou ontem e milhares de irados partidários de Slobodan Milosevic promoveram um protesto contra a entrega do ex-presidente ao tribunal de crimes de guerra da ONU.
A renúncia de Zizic e outros antigos aliados montenegrinos de Milosevic apressou o colapso do governo e ameaça levar à separação dos duas remanescentes repúblicas iugoslavas, a Sérvia e a bem menor Montenegro.
Cerca de 10.000 partidários de Milosevic, alguns gritando ‘‘Traição!’’ e ‘‘Vamos nos rebelar!’’, concentraram-se na frente do Parlamento federal em Belgrado para protestar contra a decisão do governo sérvio de entregar o ex-presidente.
Mas a participação na manifestação foi desapontadora, e mostrou como Milosevic perdeu apoio desde suas campanhas nacionalistas que levaram a quatro guerras nos Bálcãs. A maioria dos sérvios expressou alívio com a perspectiva de colocarem para trás a era de seu ruinoso regime de 13 anos.
‘‘É como remover um câncer’’, disse Milica Vidojevic, 19 anos. ‘‘A mera presença desse homem no país era um veneno para todos nós.’’
As renúncias políticas, entretanto, significam o colapso do Gabinete, que é formado por autoridades pró-democracia da Sérvia e ministros de Montenegro. O presidente iugoslavo, Vojislav Kostunica, pode propor agora um novo primeiro-ministro, mas se o nome for rejeitado no Parlamento, ele teria de convocar novas eleições federais.
As autoridades de Montenegro disseram que a extradição quinta-feira de Milosevic para o tribunal em Haia, Holanda, foi ‘‘ilegal e inconstitucional’’ e ‘‘ameaça o funcionamento da Iugoslávia e sua própria existência’’.

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