Primeiro-ministro armênio é assassinado
Associated Press
De Erivan, Armênia
Um comando terrorista portando armas automáticas irrompeu ontem no Parlamento da Armênia, em Erivan, capital do país, e matou o primeiro-ministro Vazguen Sarkissian no momento em que ele concluía um discurso. Gritando Isto é um golpe de Estado, o grupo de cinco ou seis homens vestindo capas pretas assassinou ainda o presidente do Parlamento Karen Demirchyan; o vice Yuri Bakhshyan e o ministro de Assuntos Operativos, Leonard Petrosyan, de acordo com comunicado do governo. -
A emissora armênia de TV Al Plus informou, citando como fonte um alto funcionário, que o ministro das Finanças também estava provavelmente morto. Ao todo, oito pessoas teriam morrido e 30 ficado feridas.
Após o tiroteio, o comando tomou dezenas de pessoas como reféns e enquanto funcionários e parlamentares fugiam, o prédio foi cercado pela polícia. A TV Al Plus calculava que de 150 a 200 pessoas estavam retidas ontem no prédio. O secretário de imprensa da Presidência, Vahe Gabrielian, disse que haveria apenas 30 e fontes policiais informavam ser dezenas. Um câmera de TV que teve permissão para entrar no edifício após o tiroteio contou que um dos homens, aparentando muita tranquilidade, disse-lhe para ficar calmo, pois não eram terroristas.
Os terroristas exigiram travar negociações com o presidente do país, Robert Kotcharian, que chegou pouco depois ao local e se mantinha em consulta permanente com eles e os chefes das forças de segurança. A Assessoria de Imprensa não revelou o teor das negociações nem as reivindicações do grupo. Não estavam claros os motivos dos terroristas.
Eles disseram que era um golpe e pediram que os jornalistas informassem o povo sobre isso. Disseram que iriam punir as autoridades por tudo o que tinham feito ao país, relatou o repórter Konstantin Petrosyan, que se encontrava no plenário durante a sessão em que Sarkissian respondia a perguntas dos políticos. Petrosyan disse ter reconhecido um dos membros do comando. Seria o jornalista Nairu Unanyan, membro do partido nacionalista Dashnak, mas agência de notícias russa Interfax informou que ele só pertenceu a essa organização por pouco tempo em 1990.
O porta-voz presidencial insistia, porém, que não se tratava de um grupo com filiação político-partidária. Isto não é, de modo algum, um golpe de Estado. No vizinho Azerbaijão, as autoridades levantavam a hipótese de que o assalto ao Parlamento seria uma tentativa de prejudicar as conversações de paz entre os dois países, atualmente em franco progresso. O vice-primeiro-ministro Khalaf Khalafov afirmou que o ataque poderia ter sido lançado por forças externas alarmadas com o progresso nas conversações sobre Nagorno-Karabakh e interessadas em desestabilizar o país. Ele não deu detalhes sobre a que forças se referia, mas na região do Cáucaso o termo é rotineiramente empregado para aludir à Rússia. Armênia e Azerbaijão são ex-repúblicas soviéticas.
O ataque terrorista ocorreu uma hora antes de o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbot, encerrar uma visita ao país para discutir a questão de Nagorno-Karabakh com o presidente Kotcharian.





