Astana, Cazaquistão - O primeiro dia das negociações de paz na Síria entre emissários do presidente Bashar Assad e os rebeldes, realizadas em Astana, no Cazaquistão, terminou sem avanços claros nesta segunda-feira (23). As conversas acontecem em um novo contexto nos últimos meses, após a decisiva intervenção militar russa em apoio ao governo, e em meio à progressiva perda de influência de Washington.

Ao final do primeiro dia de negociações, representantes das duas delegações anunciaram que as discussões do dia haviam terminado. "As reuniões da nossa delegação terminaram", declarou à AFP uma fonte próxima aos negociadores do governo. O porta-voz dos rebeldes Yehya al-Aridi confirmou a informação.
"Os dois lados trabalham em temas relacionados ao reforço do cessar-fogo instaurado em 30 de dezembro passado", afirmou Al-Aridi.

A delegação rebelde manteve conversas com os turcos, que estão do seu lado no conflito, mas também com os russos, aliados de Damasco, e com a Organização das Nações Unidas (ONU). As reuniões foram "longas e produtivas", relatou Al-Aridi, acrescentando que debateu "em profundidade" sobre os "problemas políticos" na Síria com o enviado de Moscou.

Os encontros desta terça-feira (24) também serão realizados por "mediação", acrescentou Al-Aridi. "Para alcançar um cessar-fogo, para que o banho de sangue cesse, para que as tropas estrangeiras e as milícias abandonem a terra síria (...), faremos tudo o que for necessário", garantiu.

Essas negociações são as primeiras entre Damasco e os chefes rebeldes com vários milhares de combatentes sob suas ordens e com o controle efetivo do território sírio. Desta vez, a oposição política se limitou a um papel de conselheira.

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