Félix Alberto Lima
Especial para AE
De São Luís
A primeira tragédia envolvendo a família Kennedy ocorreu no Brasil, na década de 30, com o assassinato do contador John Harold Kennedy, tio do ex-presidente americano John F. Kennedy. John Harold foi assassinado em São Luís com dois tiros de revólver disparados pelo bilheteiro maranhense José Ribamar Mendonça.
O crime, segundo o processo de número 86, de 2 de junho de 1934, do Superior Tribunal de Justiça, foi ‘‘uma atitude de vingança de Mendonça’’, demitido um dia antes por John Harold. As 294 folhas do processo foram localizadas recentemente pela Corregedoria de Justiça do Maranhão e postas à disposição de pesquisadores. Após o acidente de avião envolvendo John F. Kennedy Jr., na semana passada, aumentou o número de curiosos interessados no processo.
John Harold era um dos executivos e contador oficial da Ulen Management Company, empresa com sede em Nova York que em São Luís explorava os serviços de água, esgoto, luz e transporte. Harold era irmão de Joseph P. Kennedy (pai do ex-presidente americano) e tio-avô de John Jr.
Mendonça, funcionário da Ulen Company, trabalhava havia 10 anos como bilheteiro da estação de bondes da empresa. Segundo dados do processo, Mendonça não se conformou com a carta de demissão assinada em 29 de setembro de 1933 e, um dia depois, foi à Ulen Company pedir explicações a John Harold. ‘‘Após ligeira troca de palavras com John Harold, Mendonça sacou de um revólver e (às 17h30) atirou quatro vezes contra o seu interlocutor, no momento em que este lhe voltava as costas’’, relata o promotor Edison Brandão, que conduziu na época as acusações do crime.
Mendonça foi absolvido por três vezes em júri popular. Os EUA tentaram obter sua extradição diversas vezes, sem êxito. Ele morreu em 21 de março de 1952, no Rio, aos 44 anos.

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