Primeira-ministra britânica pede eleição antecipada
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terça-feira, 18 de abril de 2017
Folhapress 

São Paulo - A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta terça-feira (18) a realização de uma eleição antecipada em 8 de junho, afirmando que o governo tem o plano correto para negociar os termos da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), conhecido como Brexit, e precisa de união política em Londres para colocá-lo em prática. "Eu acabei de liderar uma reunião do governo em que nós concordamos em convocar uma eleição geral no dia 8 de junho", disse Theresa, do lado de fora de seu escritório em Downing Street.
A decisão representa uma reviravolta surpreendente, já que a premiê tinha, até agora, rejeitado os pedidos de seu partido para aproveitar a vantagem nas pesquisas e antecipar as eleições - a próxima só ocorreria em 2020. A primeira-ministra disse que tomou a decisão com relutância, mas que ela é necessária para "garantir a liderança forte e segura que o país necessita" nos dois anos de negociações do Brexit.
Theresa May era ministra do Interior e chegou a Downing Street após a renúncia de David Cameron, em junho de 2016, e graças a sua vitória em uma votação interna do Partido Conservador, mas sua liderança não havia sido referendada pelas urnas. A popularidade dela supera com folga - até 20 pontos percentuais em algumas pesquisas - a do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.
Embora o Parlamento tenha a possibilidade de bloquear a convocação de eleições antecipadas, Corbyn expressou apoio ao pedido de Theresa May, abrindo caminho para a aprovação da medida no Parlamento. "Eu saúdo a decisão da primeira-ministra de dar ao povo britânico a oportunidade de votar por um governo que dê prioridade aos interesses da maioria", disse Corbyn em um comunicado.
No entanto, a terceira força parlamentar, os separatistas escoceses do SNP (Partido Nacional Escocês), criticou a convocação. Os conservadores, afirmou a chefe de governo regional escocês, Nicola Sturgeon, "veem a oportunidade de escorar o Reino Unido à direita, impor um Brexit duro e mais cortes sociais".
Apesar disso, com a união de conservadores e trabalhistas em torno da questão, Theresa May conseguiria com folga os dois terços de votos (434) necessários para aprovar a convocação de eleições antecipadas. Caso o pleito seja confirmado, o Parlamento será dissolvido no dia 3 de maio.
PARLAMENTO UNIDO
Theresa iniciou formalmente o processo de saída da UE em 22 de março, nove meses depois do plebiscito. As negociações devem durar 24 meses para encerrar os 44 anos de relação entre o Reino Unido e a União Europeia.
Os conservadores contam com uma estreita maioria no Parlamento, de cinco deputados (330 dos 650), mas não estão unidos na questão europeia, e cada votação exige a apresentação de garantias a esta minoria rebelde.
Desta maneira, Theresa May justificou sua decisão pela necessidade de contar com um Parlamento que respalde sua estratégia no Brexit. "O país está se unindo, mas Westminster não", disse, em referência ao Parlamento. Tal divisão "coloca em perigo nossas possibilidades de êxito no Brexit". "Nossos oponentes acreditam que, como a maioria do governo é pequena, nossa determinação vai fraquejar e isto nos obrigará a mudar. Estão equivocados", afirmou. "Subestimam nossa decisão de fazer o trabalho e não estou preparada para colocar em perigo a segurança de milhões de trabalhadores em todo o país."
Entenda a decisão de Theresa May
O que aconteceu?
Theresa May anunciou que quer adiantar as eleições no país para 8 de junho - pelo calendário original, elas deveriam acontecer em maio de 2020, respeitando um intervalo de cinco anos entre eleições. A mudança surpreendeu, pois a premiê vinha dizendo que não pretendia adiantar as eleições.
Quais foram as reações?
Aliados de Theresa May no governista Partido Conservador saudaram o anúncio da primeira-ministra. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, principal legenda da oposição, disse que também apoia a decisão. Com isso, o governo deve atingir os votos necessários (dois terços da Câmara dos Comuns, ou 434 votos) para antecipar as eleições.
Por que agora?
Neste momento, os conservadores aparecem nas pesquisas com até 20 pontos de vantagem sobre a oposição trabalhista, mais do que na eleição passada, em 2016, quando o partido obteve apenas cinco cadeiras a mais que a metade do Parlamento. Caso elas ocorressem apenas em 2020, o desempenho do governo nas eleições poderia ser prejudicado por uma queda de popularidade diante da expectativa de perdas econômicas devido à saída da União Europeia.
O que Theresa May quer com isso?
Theresa May, que chegou ao poder em junho de 2016 depois da renúncia de David Cameron devido à derrota no plebiscito do Brexit, busca um apoio político mais claro para negociar a saída britânica do bloco regional. Atualmente, sua base de apoio no Parlamento é frágil.
E como fica o Brexit?
Theresa May deflagrou há algumas semanas o início do divórcio com a UE, o qual deve se completar após cerca de dois anos de negociação. Caso a primeira-ministra saia vitoriosa nas eleições, ela terá mais força para negociar os termos de separação com o bloco regional e conseguir um acordo mais favorável ao Reino Unido.


