Buenos Aires - A primeira-dama argentina, Cristina Fernández de Kirchner, venceu a eleição de domingo na província de Buenos Aires, o maior e mais populoso distrito do país, fortalecendo-se para as eleições presidenciais de 2007. ''Começou na Argentina uma etapa de renovação e mudança geracional de dirigentes'', explicou a mulher do presidente Néstor Kirchner, sem aludir à sua eventual candidatura, um assunto mantido em segredo pelos homens do governo.
Seu marido preferiu o silêncio na madrugada de ontem, quando ainda se ouviam os tambores no comitê de campanha da Frente para a Vitória (FV), deixando Cristina brilhar sozinha na comemoração. Kirchner ainda não revelou seus eventuais planos para 2007.
Durante a campanha, a voz de Cristina parecia imitar a de Evita Perón, dissonante, afônica e emotiva. Ela foi o instrumento utilizado por Kirchner para derrotar seu maior adversário no peronismo, o ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003).
Com 45% dos votos num território que concentra quase 40% dos eleitores do país, a 'Evita' do século 21 tornou-se no último domingo um nome importante no governista Frente para a Vitória (FV). ''Agradeço aqueles que nos acompanharam nesta luta e não têm nossa identidade partidária'', disse Cristina.
Sua arqui-rival no peronismo, Hilda 'Chiche' González de Duhalde, sofreu a maior derrota histórica sob o símbolo do Partido Justicialista (PJ, peronista) no reduto de Buenos Aires. O Partido Justicialista, no entanto, conquistou a terceira bancada no Senado.
A primeira-dama é uma advogada de 52 anos que militou durante a juventude na Frente Universitária para a Revolução Nacional (FURN), um grupo que forneceu quadros para a combativa Juventude Peronista (JP). O casal conseguiu escapar da morte durante a ditadura.

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