O novo primeiro-ministro russo Evgueni Primakov, que continua formando seu governo, anunciou ontem a preparação de um orçamento de emergência para o quarto trimestre do ano e uma primeira entrevista com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Primakov nomeou, ontem, o centrista Alexandre Chojin como vice-primeiro-ministro encarregado de Finanças e hoje se reunirá com representantes do FMI para estudar a obtenção de um novo empréstimo.
‘‘Depois, se for indispensável, me reunirei com Michel Camdessus (diretor geral do FMI)’’, precisou Primakov, citado pelas agências russas de notícias.
O ex-chefe da diplomacia russa, cuja nomeação para a chefia do Governo foi aprovada na última sexta-feira pela Duma (câmara baixa do Parlamento), anunciou igualmente que seu governo prepara um orçamento de emergência para o quarto trimestre do ano.
Sua prioridade será pagar os salários dos funcionários públicos e as pensões dos aposentados, declarou Primakov, precisando que esse orçamento de emergência será apresentado em breve à Duma.
‘‘Para pagar os salários e pensões dos aposentados, o Estado tomará decisões para evitar a hiperinflação ou maior desestabilização da situação’’, adiantou.
O Estado deve a seus empregados e pensionistas a soma de 75,8 bilhões de rublos (12,2 bilhões de dólares).
Por outro lado, o acadêmico Leonid Abalkin, a quem Primakov consulta sobre os grandes problemas econômicos do país, estimou ontem que a principal causa da atual crise financeira é que o FMI tem determinado para a Rússia, nos seis últimos anos, a política econômica que deve seguir.
‘‘Carecíamos da vontade e da capacidade para apresentar a estratégia de nossa política. Durante seis anos, nenhum governo se preocupou em explicar ao povo o que pensava fazer nem porque devíamos sofrer’’, declarou Abalkin.
Paralelamente, Primakov continuou sua série de consultas políticas para terminar a formação do governo.

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