PRI sofre pior derrota de sua história
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
France Presse Cidade do México 
Nas eleições mais limpas já realizadas no México, o governo sofreu uma catastrófica derrota na capital, e seu Partido Revolucionário Institucional (PRI), há 68 anos no poder, poderá perder pela primeira vez a maioria na Câmara de Deputados. O presidente Ernesto Zedillo classificou de festa democrática o dia em que Cuauhtémoc Cárdenas, o candidato do centro-esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), foi eleito governador do Distrito Federal, conseguiu cerca de 47,79% dos votos, segundo resultados ainda parciais.
Os membros do PRD, aos milhares, comemoraram durante horas a vitória de Cárdenas, de 63 anos, símbolo da resistência ao neoliberalismo que reuniu em torno de sua candidatura os mais diversos setores sociais.
Já no PRI, o clima era de depressão: apenas um quarto dos eleitores do Distrito Federal votou em seu candidato, ou, mudando a equação, três quartos votaram contra ele. Mas o drama do PRI não parou aí: à medida que chegavam os resultados de diferentes zonas do país, ia ficando claro que o partido perderia vários dos seis estados em disputa e, pela primeira vez em sua história, não teria maioria na Câmara de Deputados.
Para o Governo de Zedillo, menos de três anos no poder, o teste foi tão catastrófico como para o PRI: apenas pouco mais da terça parte dos mexicanos aprova suas políticas e crê em suas promessas. Dos 48,7% que obteve com a eleição de Zedillo há três anos, o PRI caiu para 36%, enquanto o PRD passava de 16,6% a cerca de 26% e o conservador Partido Ação Nacional (PAN) subia de 25,9% para cerca de 30%.
Acostumados durante décadas a levantar a mão para aprovar as iniciativas do Executivo, os legisladores do PRI deverão aprender no futuro não só a discutir, mas também a fazer acordos com os outros partidos. Como afirmaram os dirigentes do PAN e do PRD, será uma verdadeira separação do Legislativo e do Executivo.
O PRD cresceu, em sua votação, mais de 50% e transformou-se em uma alternativa de poder, enquanto o PAN se consolidava como segunda força política, apesar de seu crescimento ter sido menos espetacular. Quando já haviam sido apuradas 25% das seções eleitorais, fontes não oficiais do PRI estimavam que seu partido obteria 215 cadeiras; o PAN, 137; o PRD, 129; o Partido do Trabalho, sete; e o Partido Verde Ecologista, 12. Além disso, houve uma alta participação apenas nas eleições legislativas: embora não haja cifras precisas, estima-se que a abstenção não chegou a 40%.
O crescimento do PRD na capital se deveu em parte ao fato de Cárdenas ter conseguido reunir, após lançar sua candidatura, todos os setores: mulheres, empresários, trabalhadores, funcionários públicos, comerciantes, ambulantes, taxistas, universitários, cientistas.
Na madrugada de ontem, cerca de 20 mil de seus eleitores se reuniram na Zócalo, a principal praça da cidade, diante do Palácio Nacional, para comemorar a vitória durante horas, em meio a gritos de Cuauhtémoc, Cuauhtémoc!, músicas, danças e o agito de bandeiras.


