Hoje, milhões de argentinos vão às urnas para decidir quem disputará as eleições presidenciais do próximo ano contra o Partido Justicialista, do presidente Carlos Menem. São as eleições internas da Aliança (bloco de oposição), uma espécie de pleito aberto a quem quiser votar, exceto aos filiados a partidos rivais.
Espera-se que, dos 18 milhões de eleitores potenciais, cerca de 4 milhões compareçam às urnas.
A Aliança, bloco de centro-esquerda, estará decidindo entre dois nomes: Fernando de la Rúa, da União Cívica Radical (UCR), o partido mais antigo da Argentina (foi fundado em 1891), e Graciela Fernández Meijide, da Frente País Solidário (Frepaso), um partido criado há cinco anos e que reúne tendências social-democratas e socialistas.
Segundo pesquisa publicada sexta-feira pelo jornal argentino ‘‘Clarín’’, De la Rúa lidera a corrida pela vaga oposicionista com 50,7% dos votos, contra 40,4% para a concorrente. O restante dos eleitores está indeciso. A enquete, realizada pelo Centro de Estudios de Opinión Pública, afirma também que devem comparecer às urnas cerca de 4 milhões de eleitores, o dobro do esperado pela Aliança.
A coalizão de centro-esquerda surgiu há cerca de dois anos com o propósito de derrotar o peronismo representado por Menem, que no próximo ano completará dez anos ininterruptos de governo. Nesse período, a Argentina saiu de uma hiperinflação devastadora - em 89 chegou a 300% ao mês, no final do governo de Raúl Alfonsín (UCR) -, dolarizou a economia e privatizou quase todas as empresas estatais. O resultado desse ‘‘plano de estabilização’’, entretanto, foi o aumento do desemprego, o achatamento dos salários e a redução dos gastos sociais - embora a inflação esteja controlada, e o país continue crescendo em níveis elevados.
Diante desse cenário, tanto De la Rúa quanto Fernández Meijide têm como bandeira manter a estabilidade econômica e ao mesmo tempo atacar os problemas sociais.

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