Outros brasileiros que estão no Líbano também viveram momentos de tensão com os bombardeios de ontem. A estudante universitária Juliana Vieira, 27 anos, de Londrina, que está na cidade de Faraya, a 50 quilômetros de Beirute, aguardava o momento de voltar ao Brasil. Atualmente, ela cursa marketing na American University of Beirut.



Folha- Como você e os outros brasileiros que estão no Líbano estão se sentindo?

Juliana- Estamos tranquilos, mas quatro morreram no sul do Líbano hoje de manhã. O consulado me recomendou este hotel. Eles me colocaram em um carro para eu vir para cá. Aqui está tudo tranquilo e seguro. A maioria dos brasileiros que está aqui tem família e estão com a família. Isto tranquiliza.

Folha- Você ouve o som das bombas? Ou vê a fumaça das explosões?

Juliana- Nada. Estou na montanha e aqui está muito calmo.

Folha - Você está com medo?

Juliana- Bastante... Mas as pessoas que estão aqui são acostumadas com isso. Para elas, é normal.

Folha - As pessoas que estão à sua volta adotaram algum procedimento especial para esta situação?

Juliana- A maioria das pessoas foram para as montanhas com suas famílias.

Folha- Você quer dizer que as pessoas sairam da cidade? De suas casas?

Juliana- Sim. Uma parte tentou sair do Líbano pela Síria, mas o caminho foi bloqueado pelos israelenses.

Folha- Você pretende sair daí? Vir para o Brasil?

Juliana- Ainda pretendo, se houver uma oportunidade de chegar até a Síria.

Folha- É por via terrestre? Ou de que maneira as pessoas seguem este caminho?

Juliana- Estão indo de ônibus ou de carro particular.

Folha- Como você pretende ir até a Síria?

Juliana-
De ônibus, sozinha.

Folha- Quanto tempo dura esta viagem?

Juliana- Com o tráfego, umas 8 horas mas, normalmente são 2 horas. Hoje, várias pessoas foram até a Síria e tiveram que voltar porque fecharam a fronteira.

Folha- Não é arriscado? Você disse que tinha outra pessoa brasileira junto com você na Embaixada...

Juliana- Esta pessoa está aqui tentando achar a família e não quer voltar até encontrar os familiares dela. Ela se casou com um árabe no Brasil que fugiu com os quatro filhos dela. Eles estão em Dubai.


Folha- Você disse que está tentado sair pela Síria? Estava no tempo de você voltar?

Juliana- Eu fiz minha reserva ontem ( quarta-feira) para embarcar hoje (ontem).


Folha- Você tem informações pela tevê? Rádio ou jornais?

Juliana- Pela tevê. Aqui, onde estou está calmo porque estou longe do tumulto.


Juliana- Você também falou no tráfego? O Hezbollah não permite que os ônibus saiam?
Juliana- Israel não está deixando ninguém sair. O tráfego para o mesmo destino, neste caso, a Síria, é demais.


Folha- Você viu alguma ação do Hezbollah?


Juliana- Não, mas as pessoas daqui estão a favor do Hesbollah.

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