O presidente Bill Clinton passou o último dia do ano de folga, rodeado de amigos, reconfortado por uma pesquisa do Instituto Gallup, divulgada quarta-feira, que o consagra como o homem mais admirado pelos norte-americanos, enquanto que os políticos continuam preparando em Washington o seu julgamento político.
Bill Clinton chegou quarta-eira a Hilton Head, um balneário da Carolina do Sul, onde passará o réveillon com os amigos e a família, como faz há 15 anos.
Estes encontros de Ano Novo, promovidos por Hillary Clinton e chamados de ‘‘renascimento’’, são geralmente festas particulares que reúnem 1.300 pessoas, marcados por uma série de discursos que pouco têm a ver com política.
Quarta-feira, o presidente norte-americano encabeçava uma lista dos homens mais admirados no país, segundo pesquisa do Instituto Gallup. Clinton foi citado por 18% das pessoas pesquisadas durante a última semana do ano, contra 14% no mesmo período do ano passado.
Depois de Clinton, aparece o Papa João Paulo II (7% contra 5% em 1997).
Este ano, Bill Clinton decidiu encurtar sua folga, inicialmente prevista para durar quatro dias, e regressará hoje a Washington, que já se agita com os preparativos de seu julgamento político por perjúrio e obstrução da Justiça, no caso Lewinsky.
Outra modificação no tradicional final de ano de Clinton: ele não animará, como de costume, uma sessão de perguntas e respostas com os participantes do encontro, profissionais das mais diversas atividades.
Em Washington, os dirigentes republicanos e democratas teriam concluído um acordo de princípios, para que o julgamento político no Senado não dure mais de quatro dias, informou a cadeia de TV ABC.
Segundo este acordo, após os quatro dias de debates, os senadores decidirão se os motivos da destituição aprovados pela Câmara de Representantes - perjúrio e obstrução da Justiça - correspondem ao conceito de ‘‘crimes e delitos graves’’, previstos na Constituição dos EUA.
O líder dos republicanos no Senado, Trent Lott, propôs ontem formalmente que o processo contra o presidente Bill Clinton seja rápido e que acabe numa moção de censura e não em impeachment. Lott se distanciou, desta maneira, da opinião da maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes que votou a favor do impeachment. O senador e seu colega democrata Tom Daschle anunciaram que apresentarão nos próximos dias uma proposta conjunta sobre o tema. Segundo a proposta de Lott, o Senado só realizaria um julgamento político se dois-terços dos cem membros do Senado decidirem que as acusações de perjúrio e obstrução da Justiça são graves o suficiente para justificar seu impeachment. Caso contrário, o caminho estaria aberto para uma moção de censura, o que manteria Clinton no poder.
Esta tendência que se observa de antecipar e agilizar o processo no Senado pode ser favorável ao presidente Clinton. A demora no processo, naturalmente, produziria grande desgaste ao tempo em que obrigaria o presidente a desviar atenções dos problemas administrativos.

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