Pressão pode deflagrar revolução
Nike Edwards
Reuters
As crescentes pressões dos estudantes pela saída do presidente Suharto, da Indonésia, poderão deflagar uma revolução nos moldes da que derrubou o ditador filipino Ferdinand Marcos em 1986.
‘‘Podemos estar diante de um cenário similar à revolta popular para tomada de poder verificada no início da década de 80 nas Filipinas’’, afirmam Abdul Razak Abdullah Banginda, diretor-executivo do Malaysian Strategic Research Centre, e Miriam Ferrer catedrática do Departamento de Estudos do Terceiro Mundo da Universidade das Filipinas.
A oposição e os grupos religiosos, observam os especialistas, estão sendo beneficiados pela crescente revolta popular, o que pode resultar em uma revolução parecida com a que ocorreu nas Filipinas.
‘‘A chave da questão está, agora, nas mãos dos militares’’, observa Ferrer, lembrando que será importante acompanhar a evolução dos fatos para identificar com que grupos as Forças Armadas se alinharão.
A desintegração política e militar da Indonésia, quarto país mais populoso do mundo e um dos mais poderosos do Sudeste Asiático, porém, terá consequências além das fronteiras do país.
‘‘A crise indonésia já não está restrita à moeda ou aos problemas financeiros, pois transformou-se em uma questão de segurança que afeta a estabilidade interna do país e também da região’’, diz Satoshi Morimoto, ex-assessor da Agência Japonesa de Defesa e atual pesquisador do Nomura Research Institute.
Segundo Morimoto, a saída de Suharto pode abalar seriamente a unidade e o equilíbrio da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), o que prejudicaria os esforços regionais para resolver outros problemas políticos delicados em países como o Camboja e a Birmânia.

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