Emmanuel Serot
France Presse
De Viena
Os austríacos manifestam seu assombro e também sua irritação ante as críticas de numerosos países às negociações para criar um novo governo, que podem resultar na entrada da extrema-direita no gabinete ministerial.
Uma maioria de austríacos, incluídos os que não votam no partido de extrema-direita FPOe de Joerg Haider, considera que esse partido é populista e não de extrema-direita. O FPOe pediu que ‘‘não se dramatize nem difame’’ e tomou várias iniciativas para demonstrar que respeita os valores democráticos.
A imprensa de centro-esquerda teme, entretanto, que este assunto faça ressurgir o fantasma de Kurt Waldheim. As revelações sobre o passado do ex-presidente austríaco isolaram o país no final da década de 80.
‘‘A idéia segundo a qual as críticas do estrangeiro irão diminuindo e que procedem somente dos inimigos social-democratas lembra o erro fatal cometido sob a presidência de Kurt Waldheim’’, no poder de 1986 a 1992, e isolado do cenário internacional devido a suas atividades no exército nazista, considerou o jornal ‘‘Der Standard’’.
Uma pesquisa publicada esta sexta-feira dá o primeiro lugar no panorama político da Áustria ao partido de Haider, com 33% de intenções de voto, na frente dos social-democratas (32,5%), embora estes estejam há décadas no centro da vida política do país. O FPOe continua acumulando intenções de votos desde seu excelente resultado nas legislativas de 1999, que lhe permitiram colocar-se na 2ª posição com quase 27% de votos.

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