A pressão internacional poderá garantir a realização da eleição presidencial paraguaia no dia 10 de maio. Analistas políticos avaliam que apenas a cobrança externa terá condições de anular as manobras de uma facção do situacionista Partido Colorado - na qual se inclui o presidente Juan Carlos Wasmosy -, com o objetivo de adiar o pleito.
‘‘O país é muito suscetível às pressões internacionais’’, explica Edwin Brites, de 46 anos, editor de Política do jornal ‘‘ABC Color’’, o diário mais influente do Paraguai. ‘‘Hoje, os Estados Unidos, a União Européia e, principalmente, o Mercosul fazem um ‘cerco’ ao Paraguai para garantir as eleições’’, afirma Brites.
O ‘‘cerco internacional’’ mencionado por Brites começou a se formar na semana passada. Na quarta-feira, dois dias depois de o presidente do Partido Colorado, Luis María Arga¤a, ter proposto, durante uma convenção extraordinária, o adiamento das eleições por 60 dias, chegou a Assunção uma equipe de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA). A presença do grupo foi solicitada pelo próprio ministro das Relações Exteriores, Rúben Melgarejo Lanzoni. Apesar de afirmar que a possiblidade de adiamento das eleições é uma questão interna, o chefe da missão da OEA, o guatemalteco José Luis Chea, demonstrou que a situação paraguaia preocupa os países do continente.
Outra forma de pressão partiu dos países do Mercosul. Reportagens de jornais brasileiros, citando fontes do Itamaraty e afirmando que os demais países do bloco estudam suspender o Paraguai em caso de quebra do sistema democrático, repercutiram no Palácio de López, sede do governo. O embaixador brasileiro em Assunção, Bernardo Pericás Neto, se apressou em explicar que as notícias eram ‘‘especulações’’. Ele lembrou, no entanto, que um dos tratados do Mercosul exige que seus integrantes respeitem o regime democrático.
Mas a primeira posição efetiva do Mercosul em relação às eleições paraguaias já foi tomada. Na quinta-feira, a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, composta por deputados e senadores dos quatro países, enviou ao governo Wasmosy uma declaração conjunta cobrando ‘‘a manutenção do sistema democrático’’.
A maior parte dessas ações internacionais foram motivadas pela proposta feita pelo presidente do Partido Colorado, Luis María Arga¤a, na segunda-feira. Usando o argumento de que teria havido fraude nas eleições internas do partido e apontando um ‘‘complô’’ entre a Justiça Eleitoral e a oposição para prejudicar os colorados, Arga¤a lançou a idéia do adiamento das eleições por 60 dias. Segundo ele, se isso não ocorrer, o país poderá eleger um ‘‘governo ilegítimo’’.
Na avaliação dos analistas políticos e da oposição, o objetivo dos colorados é ganhar tempo para tentar eliminar da disputa o candidato oficial do partido, o general da reserva Lino Oviedo, que está preso sob ordem de Wasmosy. Apesar de não se posicionar oficialmente, o presidente paraguaio apóia a proposta de Arga¤a.
A proposta foi duramente criticada pela oposição e até por autoridades. Para Domingo Laíno, candidato a presidente pela Aliança Democrática, a coligação de oposição aos colorados, a data das eleições é inegociável. ‘‘A Constituição não se negocia, se cumpre’’, afirmou.
A Igreja Católica paraguaia pode mediar a crise. A Conferência Episcopal Paraguaia (CEP) decide nesta semana se aceita pedido feito pelo presidente Wasmosy. A oposição não concorda.Segundo o deputado Luis Alberto Mauro, do Encontro Nacional, o problema é do Partido Colorado. ‘‘Os bispos que se reúnam com os colorados e suas facções. Não temos nada a fazer nessa conversação. Só aceitamos conversar com a Igreja para solucionar a crise econômica e social que afeta o país.’

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