Os trabalhadores rurais sem-terra ampliaram a pressão pela reforma agrária e se transformaram num dos principais focos de preocupação para o governo federal ao longo do ano. Em 17 de fevereiro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) iniciou uma caminhada rumo à Brasília, na chamada ‘‘Marcha Nacional por Reforma Agrária, Emprego e Justiça’’. Dois meses depois - data do primeiro ano do massacre dos 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará - chegaram à capital federal para a maior manifestação popular pela reforma agrária e contra o presidente Fernando Henrique Cardoso em quase três anos de governo.
Trinta mil pessoas, segundo cálculos da Secretaria de Segurança do DF, e 100 mil de acordo com avaliação dos organizadores, participaram do ato público promovido pelo MST em frente ao Congresso Nacional. A manifestação reuniu estudantes, sindicalistas, metalúrgicos, servidores públicos, desempregados, representantes de minorias, políticos de oposição, artistas e intelectuais.
O ato público foi o ponto alto do protesto dos sem-terra, que, simultaneamente, saíram de vários Estados. Muitos deles caminharam mais de mil quilômetros. Ao longo de toda a marcha, as colunas, provenientes das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e integradas por cerca de 2.100 trabalhadores, receberam ajuda de entidades, prefeituras e da população. Em audiência, o presidente Fernando Henrique Cardoso tentou convencer os trabalhadores rurais que seu governo foi o que mais fez pela reforma agrária na história do País.
O governo montou um superesquema de segurança para a manifestação. Foram destacados 2.200 da PM, 800 do Corpo de Bombeiros. Cinquenta policiais civis ficaram encarregados de coordenador a operação, com ajuda de dois helicópteros que sobrevoaram Brasília durante todo o dia. Nenhum incidente grave foi registrado. O esquema de segurança foi mantido até o dia dois de maio, quando os sem-terra voltaram para casa, de ônibus.

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