O Exército pressionou o general Augusto Pinochet para que ele acatasse as decisões do juiz que pretende julgá-lo. O general descumpriu as ordens do judiciais num primeiro momento, segundo a versão divulgada por uma rádio chilena. A Rádio Cooperativa de Santiago disse na quarta-feira que a posição do Exército foi transmitida a Pinochet pelo comandante-chefe da instituição, general Ricardo Izurieta, e pelo chefe do Estado Maior, general Juan Emilio Cheyre.
Durante o fim de semana, Pinochet desacatou uma ordem judicial para submeter-se a exames médicos e em seguida a um interrogatório – ordem que começou finalmente a cumprir apenas a partir de terça-feira. Ontem, o general foi submetido a novos exames. Depois, o ex-ditador de 85 anos retornou discretamente ao Hospital Militar, por uma porta lateral, para submeter-se a outra bateria de exames médicos ordenados pelo juiz Guzmán – desta vez, perícias psicológicas e psiquiátricas. Os médicos também estão medindo sua funções motoras – entre estas, as referentes à sua capacidade de locomoção,postura, reflexos, movimentos, audição e visão. Os exames deverão continuar hoje, e se necessário, até amanhã. -
Questionado sobre se Pinochet aceitará que o juiz Juan Guzmán o interrogue na segunda-feira em sua residência, um dos advogados de defesa do ex-ditador, Gustavo Collao, disse que tudo dependerá do que ocorrer nos próximos dias.
O juiz Guzmán esclareceu, no entanto, que isto só poderá acontecer se Pinochet for considerado ‘‘demente’’ ou ‘‘com sinais de loucura’’, uma vez que a lei chilena não prevê isenção de julgamento por ‘‘razões humanitárias’’.

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