Presos quatro da Al Qaeda por atentado
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sábado, 30 de agosto de 2003
Agência Folha 
São Paulo A polícia iraquiana anunciou ontem a prisão de quatro pessoas supostamente responsáveis pela explosão de ontem na principal mesquita xiita do país, na cidade de Najaf.
Os terroristas teriam ligações com a Al Qaeda, grupo de Osama bin Laden, responsável pelos atentados do Onze de Setembro de 2001.
Os terroristas presos não tiveram suas identidades reveladas. Dois deles seriam iraquianos, e os dois outros, sauditas.
O grupo, ainda segundo a polícia, foi preso logo após detonar 700 quilos de explosivos colocados dentro de dois veículos. O atentado matou o mais importante líder xiitas iraquiano, o aiatolá Mohammed Baqer al Hakim.
Segundo a Associated Press são por enquanto 107 os mortos com a explosão, A Reuters informa 87, enquanto a France Presse diz terem sido 82. A mesquita tomada como alvo abriga o túmulo de Ali, genro do profeta Muhammad e personagem central no surgimento do ramo xiita da comunidade muçulmana.
Policiais que não quiseram se identificar disseram que os terroristas da Al Qaeda, interrogados, criticaram a condescendência do aiatolá Al Hakim com os ocupantes norte-americanos. Teriam também revelado planos de assassinato de lideranças iraquianas e de destruição de instalações de energia elétrica e oleodutos.
A polícia disse que os explosivos utilizados na entrada da mesquita têm a mesma origem que o transportado para os últimos atos terroristas no Iraque: o do dia 19, contra as instalações da ONU, que matou 22 pessoas, entre elas o brasileiro Sérgio Vieira de Melo, e do dia 7, contra a embaixada da Jordânia, em que 19 morreram.
O possível envolvimento da Al Qaeda é a hipótese mais conveniente para as forças de ocupação norte-americanas, já que descartaria a existência de uma ação terrotista de resistência essencialmente iraquiano, de uma rede comandada pelo deposto ditador Saddam Hussein, ou ainda dissidências entre xiitas, que totalizam 60% dos 26 milhões de iraquianos.
De qualquer modo, os quatro terroristas detidos teriam chegado a Najaf três dias antes do atentado. O grupo se autodenominaria Mohammed Atef, um dos adjuntos de Bin Laden, morto pelos norte-americanos em 2001, no Afeganistão.
O ministro saudita do Interior, príncipe Nayef, em entrevista a um jornal inglês, considerou ontem ''infundadas'' as informações de que terroristas de seu país estejam infiltrados no Iraque.
Paul Bremer, chefe da Autoridade Provisória da Coalizão, que governa o Iraque, está de férias e não planeja antecipar seu retorno em razão do ato terrorista, que torna mais difícil a execução do projeto de pacificação.


