Mais de dois mil palestinos presos em Israel entraram em greve de fome ontem para exigir sua libertação. O movimento foi iniciado durante a semana por alguns detidos na prisão de Meggido, obteve sábado a adesão de 260 palestinos do presídio de Nafha e intensificou-se ontem nas demais unidades - a poucos dias da visita do presidente norte-americano, Bill Clinton, a Israel, Gaza e Cisjordânia.
Ele chegará sábado para celebrar a retomada das conversações palestino-israelenses e dos termos do acordo de Wye Plantation, assinado em outubro, nos Estados Unidos.
‘‘Esta decisão é um passo adiante para promover nossa posição contra a intransigência e a arrogância de Israel’’, assinalaram os prisioneiros de Nafha em uma carta encaminhada ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat. Muitos parentes de presos e funcionários da AP também entraram em greve de fome ontem, em solidariedade ao movimento.
Segundo o ministro de Estado da AP para Prisioneiros, Hisham Abdel-Razek, há cerca de 2,4 mil presos políticos palestinos em Israel.
No acordo de Wye Plantation Israel comprometeu-se a soltar 750 prisioneiros palestinos em três etapas. Mas na primeira delas, cumprida no mês passado, dos 250 libertados apenas 150 haviam sido detidos por motivos políticos. Os demais eram criminosos comuns, o que irritou os palestinos.
Tel-Aviv contesta as declarações das autoridades palestinas de que o compromisso é de libertar apenas presos políticos.
O primeiro-ministro israelense, Biniyamin Bibi Netanyahu, acusou ontem os líderes palestinos de mentir para seu povo ao reportar os termos do acordo de Wye Plantation sobre os prisioneiros.
Bibi disse ter deixado claro que não soltaria palestinos ‘‘com sangue nas mãos’’ e membros do movimento islâmico Hamas. Ele voltou a dizer que Israel não desocupará mais terras na Cisjordânia enquanto Arafat não cumprir todos os termos do acordo e prometer que não declarará unilateralmente um Estado palestino em maio, conforme proclamou.
Em visita à Suécia, Arafat reiterou a defesa da criação de um Estado palestino. A AP anunciou ontem o início do confisco de armas ilegais nos territórios autônomos palestinos, conforme prevê o acordo.

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