Presos mais de 30 governantes do Hamas
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
Folhapress 
São Paulo- Forças de segurança israelenses prenderam na madrugada de ontem, na Cisjordânia, 33 membros do governo palestino. Entre os detidos está o ministro da Educação, Naser al Shaer, um membro do Hamas, grupo radical islâmico que tem a maioria das cadeiras no Parlamento palestino.
O objetivo das prisões, de acordo com o ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, é forçar o Hamas a suspender a onda de ataques que tem feito, nos últimos dez dias, contra o território israelense. Esses ataques têm sido respondidos por Israel com bombardeios na faixa de Gaza e na Cisjordânia. Os confrontos já fizeram mais de 50 mortos, sendo um deles uma israelense.
''É melhor prender os líderes (do Hamas), assim talvez possamos forçar um cessar-fogo, em vez de deixar a região (de Gaza) mergulhar num conflito generalizado'', afirmou Peretz.
Porém o sucesso da tática não parece certo. Além de os ataques de lado a lado terem prosseguido -sem mortes-, Sami Abu Zuhri, um membro do gabinete do Hamas, afirmou que ''foguetes serão disparados enquanto continuar a agressão sionista ao nosso povo''. Os foguetes são referência às armas que os palestinos têm usado contra Israel, foguetes Qassam disparados a partir da faixa de Gaza.
Em uma reunião ontem com o premiê palestino, Ismail Haniyeh, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, tentou negociar um cessar-fogo, mas líderes do Hamas disseram que só suspenderiam a ofensiva se Israel o fizesse simultaneamente e se a trégua se estendesse à Cisjordânia, além de Gaza.
Sobre as prisões, Abbas, que é líder do partido moderado Fatah, afirmou que atrapalham o processo de paz. Já Haniyeh, do Hamas, exigiu a libertação dos detidos e apelou à ONU e à União Européia que adotem sanções contra Israel.
A prisão de líderes palestinos ligados ao Hamas é uma estratégia que Israel já havia adotado, em 2006, após o sequestro de um soldado na faixa de Gaza. Dos governantes palestinos detidos então, 40 parlamentares ainda não foram soltos.
O espanhol Javier Solana, chefe da diplomacia da União Européia, esteve ontem em Gaza. Além de pedir que suspendam os ataques, ele declarou que o governo palestino, uma união entre o Hamas e o Fatah que se forjou há dois meses, ainda não está ''funcionando'' e, portanto, experimenta dificuldades para conter a violência entre seus milicianos.


