O aparelho político da organização armada separatista basca ETA, que nos últimos meses recrudesceu suas ações violentas, ficou praticamente desmantelado com a detenção ontem de 19 pessoas no País Basco, Navarra e Madri, informou o ministério do Interior.
A operação, na qual participaram 300 agentes, entre eles unidades de elite da polícia, foi dirigida pelo famoso juiz Baltasar Garzón e o diretor-geral da polícia, Juan Cotino, que foram pessoalmente a Bilbao (País Basco) para participar da operação.
O aparelho político da ETA, que atua na semiclandestinidade sob o nome Ekin, faz parte da ‘‘nova estrutura’’ criada pela organização separatista durante a trégua de 14 meses que a ETA rompeu em janeiro passado, explica um comunicado do ministério do Interior.
Segundo a polícia, o Ekin estava encarregado de supervisionar as ações da ‘‘guerrilha urbana’’ no País Basco, de fixar os objetivos de certos atentados e de ocupar-se do financiamento da organização armada basca que, segundo Madri, dispõe de uma base de retaguarda na França.
Entre os detidos figuram Xabier Alegría, um dos responsáveis do movimento separatista basco, um ex-deputado do parlamento regional de Navarra pelo HB, Jaime Iribarren, e Ana Lizarralde, ex-porta-voz da Jarrai, organização de jovens separatistas acusada de participar das ações de ‘‘guerrilha urbana’’.
Também foi detido o advogado José María Matanzas, defensor de vários acusados de colaborar com a ETA que hoje se sentariam no banco dos réus na sede da Audiência Nacional. Em consequência, a audiência teve de ser adiada.
A ‘‘Operação Lobo Negro’’ é o terceiro grande golpe desferido contra a ETA nos últimos dois anos.
O Ekin substituiu em 1999 a KAS (Coordenação Basca Socialista), entidade que agrupava todas as organizações do movimento independentista basco, entre elas a ETA.
O ministro da Justiça, Angel Acebes, parabenizou as detenções, afirmando que esta é uma prova do ‘‘funcionamento do estado de direito’’. Já Xabier Arzalluz, presidente do Partido Nacionalista Basco (PNV, nacionalistas moderados), no poder no País Vasco, criticou a operação, destacando a ‘‘linha dura’’ do governo de Madri.
A ETA assassinou 12 pessoas, entre elas três vereadores do Partido Popular do presidente José María Aznar, desde a retomada de seus atentados em janeiro.

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