Bagdá - O exército dos Estados Unidos concedeu ontem a liberdade a 454 prisioneiros do centro de detenção iraquiano de Abu Ghraib e anunciou que cerca de 400 serão libertados até o fim de maio, afirmou um oficial americano.''O exército americano liberou 454 prisioneiros hoje (ontem) e 394 serão postos em liberdade em 28 de maio'', disse à imprensa o general Mark Kimitt, subchefe das operações militares da coalizão no Iraque.
Quase 300 detentos foram liberados na semana passada da prisão de Abu Ghraib, após a divulgação dos casos de torturas realizadas por soldados dos EUA em presos iraquianos nesse local. Ontem mais detentos denunciaram abusos de soldados americanos. Desta vez as acusadas são mulheres, que teriam obrigado os prisioneiros a comer alimentos retirados de vasos sanitários, segundo matéria publicada ontem pelo jornal The Washington Post, que mostra novas fotos e imagens de vídeo.
As fotografias e vídeos, divulgados no site do jornal americano, mostram prisioneiros obrigados a se masturbar, espancados ou ameaçados com um fuzil para se submeter a abusos sexuais dos guardas da prisão. Enquanto estas novas notícias são publicadas, treze ônibus com prisioneiros deixaram a prisão de Abu Ghraib na manhã de ontem, cumprindo o anúncio da libertação de 450 presos.
Muitas destas fotos parecem confirmar o depoimento que os presos deram aos investigadores militares entre 16 e 21 de janeiro, afirmou o jornal. Os prisioneiros relatam em 65 páginas que foram tratados como animais pelos guardas, sofreram abusos de mulheres soldados e foram forçados a tirar sua comida de vasos sanitários.
''Eles nos obrigaram a comer com nossas mãos ou de quatro como cachorros'', contou Hiadar Sabar Abed Miktub al-Aboodi, cujo número de matrícula era 13077. ''Tínhamos que latir como cachorros e se não fizéssemos isso, batiam no nosso rosto e no peito. Depois disso, levavam-nos para as celas, tiravam os colchões e nos faziam dormir no chão molhado, de barriga para baixo, com um saco na cabeça e tiravam foto de tudo''.
Os prisioneiros explicaram que foram obrigados a ficarem nus quando chegaram à prisão e assim permaneciam por vários dias seguidos, alguns sujeitos a usar roupas íntimas femininas. Um deles afirmou que viu um tradutor do Exército violando um adolescente que gritava de dor. Um preso conta como soldados violentaram um dos seus colegas com uma lanterna. Outro prisioneiro foi vítima do mesmo abuso com uma matraca, depois de ter sido obrigado a se arrastar enquanto soldados lhe batiam durante quatro horas.
As testemunhas dizem os nomes de três militares atualmente processados pela corte marcial, entre eles Charles Graner e Javal Davis, um sargento. As vítimas denunciaram que faziam pirâmides humanas com os presos e Al-Zayiadi relatou como fez parte de uma das fotos mais divulgadas sobre a tortura em Abu Ghraib.

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