Havana - O regime cubano vai liberar em breve o preso político Ariel Sigler Amaya, portador de uma paralisia, como resultado de um diálogo entre a Igreja Católica e o presidente Raúl Castro, informou o Arcebispado de Havana.
O cardeal Jaime Ortega foi informado pelas autoridades que Sigler, internado em hospital de Havana, e que cumpre uma condenação de 20 anos, receberá ''licença extrajudicial''. Além disso, outros seis presos políticos foram trasladados ontem a prisões localizadas em suas províncias, segundo comunicado do Arcebispado.
Sigler e outros seis presos políticos fazem parte do grupo de 53 ainda na prisão, de um total total de 75 dissidentes detidos em março de 2003. Vinte e um deles já foram liberados por licença extrajudicial e um por já ter cumprido a condenação.
A libertação de Sigler e a relocalização dos presos políticos, levados para penitenciárias mais próximas de onde moram as famílias, dá continuidade a um processo que começou no dia 1 de junho passado.
O presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), Elizardo Sánchez, declarou-se ''insatisfeito'' com o anúncio, por considerar que Sigler ''deve ser libertado de forma incondicional'', não através de ''licença''.
Sigler dirigia o Movimiento Independente Opção Alternativa (MIOA) na província de Matanzas (ocidente), considerado ilegal pelo governo; usa cadeira de rodas desde setembro de 2008 e foi internado em 14 de agosto de 2009 no hospital por uma série de enfermidades crônicas como polineuropatia e problemas digestivos e renais.
O último preso político cubano liberado havia sido Nelson Aguiar, de 64 anos, por estar enfermo, depois de uma gestão da Espanha em outubro de 2009.
A suavização da política voltada para os presos ocorre num momento em que Cuba enfrenta críticas dos Estados Unidos e da União Europeia sobre direitos humanos, depois da morte do opositor detido Orlando Zapata, no dia 23 de fevereiro, após greve de fome de 85 dias.
A tensão aumentou com o jejum declarado um dia depois dessa morte pelo psicólogo opositor Guillermo FariÀas, para exigir a libertação de 26 dissidentes enfermos.

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