Joseph Estrada transformou-se, ontem, no primeiro líder filipino a ser preso por suspeitas de corrupção durante seu mandato, apesar de ele alegar de forma desafiadora sua inocência e insistir que nunca abandonou a presidência.
Após semanas de uma batalha legal e de uma série de recursos de última hora apresentados na tentativa de mantê-lo livre, Estrada foi escoltado de sua casa em Manila, no luxuoso bairro de Greenhills, em meio a um tumulto entre milhares de partidários do presidente deposto e a tropa de choque da polícia.
Estrada foi acompanhado por sua esposa, candidata a uma vaga no Senado para as eleições de 14 de maio; pelo filho Jinggoy, acusado de desvio de dinheiro público junto com o pai; e membros de sua equipe de defesa jurídica.
Em Camp Crame, a principal base da polícia local, onde uma cela especial foi preparada para Estrada, ele foi fichado, deixando suas impressões digitais e sendo fotografado de frente e de perfil.
Horas antes, o chefe do tribunal anticorrupção (Sandiganbayan), Francis Garchitorena, ordenou a prisão de Estrada pelo crime de desvio de verba pública. Suspeitos por este crime não podem ser libertados mediante pagamento de fiança.
O desvio de dinheiro público – o mais grave dos oito crimes pelos quais Estrada foi indiciado – pode ser punido com a sentença de morte. Mas especialistas consideram improvável a hipótese de uma condenação desse tipo no caso.
A derrocada de Estrada começou quando as acusações de corrupção levaram a um processo de impeachment de seis semanas no Senado filipino.
O processo foi arquivado em janeiro, quando os senadores votaram contra a abertura de um envelope selado que, segundo a promotoria, comprovaria a relação de Estrada com uma conta bancária multimilionária. Dia 4, Estrada foi indiciado pela suspeita de ter embolsado US$ 82 milhões em propinas e comissões durante seus 31 meses no poder.

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