Preso antigo ministro de Menem
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Ariel Palacios Agência Estado De Buenos Aires 
Braço-direito, pessoa de extrema confiança. Estes são alguns dos adjetivos utilizados para definir o homem que mais cargos teve no governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), o ex-ministro da Defesa Antonio Ermán González. Como ministro da Economia preparou o caminho para que Domingo Cavallo realizasse a conversibilidade econômica. Como ministro do Trabalho enfrentou os sindicatos no pico histórico do desemprego. E como ministro da Defesa disciplinou os irriquietos militares argentinos.
No entanto, todo o poder que teve no passado foi insuficiente: ontem, o factotum preferido de Menem, foi detido pelo juiz federal Julio Speroni. O motivo: o juiz o considera suspeito de ter comandado a venda ilegal de 230 toneladas de pólvora à Croácia em 1993, quando esse país estava sob embargo da ONU.
O ex-ministro, conhecido como El Negro González, ficará detido na prisão da Gendarmeria Nacional até que se defina sua situação jurídica.
O ex-ministro não terá direito à fiança, já que o delito pelo qual poderia ser condenado possui uma pena mínima de quatro anos e um máximo de doze anos de prisão. O juiz embargou os bens de González em US$ 1 milhão.
Desta forma, González torna-se o primeiro ex-ministro detido pela Justiça durante um governo democrático nos últimos cem anos da história argentina. Além disso, é a segunda pessoa do círculo íntimo de Menem que é detido. Um mês atrás foi a vez de seu ex-cunhado e ex-secretário pessoal, Emir Yoma.
Segundo os analistas políticos, com a detenção de González começa a ser fechado o cerco sobre o próprio Menem, que no dia 13 de junho terá que prestar depoimento por ser suspeito de ter liderado uma organização mafiosa que realizou o contrabando das armas.
A ex-esposa de Menem, Zulema Yoma, também prestou depoimento ontem sobre o escândalo das armas. Segundo a polêmica ex-primeira-dama, o tráfico de armas está vinculado à morte de seu filho, Carlos Menem Jr., em março de 1995.
Zulema Yoma sustentou que seu filho lhe confidenciou pouco antes de falecer em um suspeito acidente de helicóptero que assessores de seu pai estavam envolvidos no tráfico de armas. Eles estão traindo papai, teria dito o filho do presidente.


