Brasília Os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciaram ontem em Brasília a intenção de criar o Parlamento do Mercosul e a integração entre os países andinos, principalmente o Peru. ''Já estamos trabalhando para a criação, com prazo relativamente curto, de um parlamento do Mercosul'', disse Lula no final de uma reunião de quase quatro horas dos dois presidentes e de vários ministros, no Palácio Alvorada, que incluiu um almoço.
Kirchner e Lula destacaram ''a necessidade de insistir na constituição do Parlamento do Mercosul, eleito por voto direto, para o qual já há uma instrucão.''
Lula também expressou o interesse dos dois presidentes de ''procurar ampliar o Mercosul com uma maior aproximação com o Peru e acordos com os outros membros da Comunidade Andina'', que também é integrada pela Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.
Néstor Kirchner insistiu ainda na necessidade de ''abrir as portas e incorporar rapidamente os países do Pacto Andino, Peru e Venezuela''.
No Mercosul há muito o que fazer, afirmou Lula, ao expressar a necessidade de potencializar a integração do bloco. ''A relação entre a Argentina e Brasil é a primeira razão para o sucesso do Mercosul. Isso é o que pode despertar em nossos irmãos da América do Sul o sentido de que a integração deixa de ser uma palavra de discursos eleitorais e passa a se tornar uma ação concreta'', acrescentou.
O presidente brasileiro reforçou a intenção de coordenar as negociações internacionais dos países do Mercosul: ''Os governos dos quatro países do Mercosul enfrentarão juntos os desafios que se apresentam nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas, a Organização Mundial do Comércio e com a União Européia (UE)''.
Esta foi a primeira viagem do peronista Kirchner, de 53 anos, desde que assumiu o poder em 25 de maio passado. Ele decidiu repetir o gesto de Lula, socialista de 57 anos, que logo depois de ser eleito, em outubro passado, viajou para Buenos Aires.
Os dois presidentes já tinham se reunido em outras duas ocasiões em pouco mais de um mês: Kirchner visitou Lula depois do primeiro turno argentino, no começo de maio, e o brasileiro participou de sua posse.

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