Presidente tenta salvar a conferência
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terça-feira, 04 de setembro de 2001
Agência Estado 
A retirada das delegações dos Estados Unidos e de Israel abalou a Conferência Mundial Contra o Racismo, mas os representantes dos demais países recobraram o ânimo, depois que a presidente da reunião, Nkosazana Dlamini Zuma, ministra do Exterior da África do Sul, fez um apelo para que os trabalhos fossem levados adiante. A ministra criou uma comissão de cinco membros para estudar os problemas do Oriente Médio, a questão mais complexa em discussão.
A ausência da representação de Washington pesa muito, porque os Estados Unidos contribuem com cerca de 20% dos recursos da Organização das Nações Unidas. Teme-se que, embora a adoção das resoluções a serem aprovadas dependa de cada país-membro, o governo norte-americano venha a opor obstáculos à destinação de fundos da ONU para o financiamento do programa de ação, sob a alegação de que não vai dar dinheiro para programas que não aprovou.
A preocupação maior, no entanto, não era esta, mas o receio de que o Canadá, a Austrália e os principais países europeus também se retirassem de Durban. Como isso não ocorreu, os grupos de trabalho voltaram a reunir-se com mais tranquilidade ontem à tarde. Num dos debates da manhã, a delegação da União Européia levantou-se das cadeiras e ameaçou ir embora, ao discordar de uma votação sobre a reparação devida pelos países colonizadores.
Ao lado do problema do Oriente Médio, as questões da compensação e da definição da lista de vítimas de racismo e discriminação são os pontos mais delicados da conferência. Os europeus resistem a assumir compromissos que os obriguem a indenizar os herdeiros de seus colonizados, enquanto delegados de vários países, independentemente da geografia, discordam sobre a lista de vítimas, especialmente quando se fala de direito à orientação sexual.
Brasil ''Os resultados desta Conferência Contra o Racismo vão ser pífios, por culpa dos Estados Unidos e dos países da Europa'', prevê o professor Paulo Sérgio Pinheiro, da Universidade de São Paulo, que veio à Àfrica do Sul como especialista da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Em sua avaliação, os Estados Unidos fazem jogo duplo, porque retiraram a delegação de Washington, mas mantiveram uma pequena equipe de diplomatas subalternos na reunião o que permitira aceitar ou rejeitar as resoluções, de acordo com a conveniência.
Pinheiro considera que, sob a liderança dos Estados Unidos, os países ocidentais estão agindo como no tempo da Guerra Fria.


