Presidente renuncia ao Kuomitang
Associated Press
De Taipé
Após os protestos enfurecidos de milhares de manifestantes, o presidente de Taiwan, Lee Teng-hui, anunciou ontem que irá renunciar à liderança do Partido Nacionalista, ou Kuomitang, assumindo a responsabilidade pela derrota de seu candidato nas eleições presidenciais.
O pleito de sábado foi vencido pelo candidato do oposicionista Partido Democrático Progressista, Chen Shui-bian. O vice-presidente de Taiwan, Lien Chan, representante do Partido Nacionalista, ficou apenas em terceiro lugar.
Lee Teng-hui deixará a presidência da ilha, que governa há 12 anos, em maio. Sua renúncia à liderança do partido só terá efeito a partir de setembro, de acordo com o porta-voz Huang Huei-Chen. Vários outros altos dirigentes do partido também aceitaram renunciar.
O anúncio de Lee aconteceu enquanto cerca de 3 mil manifestantes cercavam a sede do Partido Nacionalista, em Taipé, e atiravam ovos na Polícia. Eles culparam Lee pela derrota dos nacionalistas nas eleições, o que acabou com um domínio de 51 anos do partido.
Tropas de choque, usando capacetes e escudos, usaram jatos dágua para conter a multidão de manifestantes, que respondeu com pedras e latas vazias. Os policiais, por fim, ergueram barricadas com arame farpado em torno da sede do partido. Abaixo Lee Teng-hui, gritavam os manifestantes, dando socos no ar.
No começo do dia, simpatizantes do grupo nacionalista quebraram a janela de limusines que saíam do QG do partido. Um dirigente foi atacado, jogado ao chão e chutado.
Longe dos distúrbios, o presidente eleito Chen Shui-Bian foi até um templo rezar e agradecer pela vitória.
Em Pequim, um acadêmico chinês advertiu sobre a possibilidade de que ocorra uma guerra dentro de mais ou menos dez anos entre ilha continente com a vitória do oposicionista Chen Shui-bian. O governo chinês, entretanto, disse que irá esperar para ver como Chen agirá, antes de tomar qualquer iniciativa.
Pequim desaprova totalmente Chen, já que o presidente eleito defende a independência de Taiwan. Entretanto, o presidente eleito suavizou no sábado sua posição sobre a autonomia, lançando até mesmo um apelo ao diálogo com os chineses.
O analista Yan Xuetong, estudioso que integra um instituto de estudos políticos ligado á agência de inteligência chinesa disse que a eleição de Chen terá somente consequencias negativas sobre o já tenso relacionamento entre a China e a ilha. A curto prazo nada acontecerá. A longo prazo, porém, a guerra será inevitável, declarou Yan. Para mim, longo prazo significa dez anos, concluiu.
Animado por seu segundo lugar nas eleições, o candidato independente James Sung disse também ontem que formará um novo partido. Essa decisão pode angariar apoio do Partido Nacionalista, do qual ele era membro até sua expulsão, antes do pleito, por opor-se ao candidato do partido, o vice-presidente Lien Chan, que ficou em terceiro lugar na votação.





