Presidente promete novo acordo de paz na Colômbia
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segunda-feira, 03 de outubro de 2016
Agência Brasil 

Roma - O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou nesta segunda-feira (3) que "não desistirá" de assinar o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mesmo após uma derrota inesperada nas urnas, onde a maioria da população se disse contrária à negociação. "O cessar-fogo é bilateral e definitivo. Não desistirei. Buscarei a paz até o último dia do meu mandato", disse Santos, em sua primeira declaração após a divulgação do resultado do plebiscito, realizado no domingo (2). As informações são da Agência Ansa.
Os líderes das Farc, que desde 2012 negociam o acordo de paz com o governo para colocar fim a um dos conflitos mais antigos da América do Sul, também mantiveram a palavra. "As Farc reafirmam sua vontade própria de paz e sua disponibilidade de usar apenas a palavra como arma de construção do futuro", garantiu o guerrilheiro Rodrigo Londono, conhecido como Timochenko.
O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, um dos principais promotores do "não" no plebiscito, disse estar disposto a participar de um "grande pacto nacional" para por fim à atividade da guerrilha, mas já estabeleceu uma série de condições. "É fundamental que, em nome da paz, não se coloque em risco os valores que a tornam possível", comentou. "Deve haver justiça, e não simplesmente uma revogação das instituições, um pluralismo que não pode ser interpretado como 'prêmio' por um crime, e uma política social que não comprometa os que são 'limpos' [de crimes]", disse.
Um dos pontos mais polêmicos do acordo, que foi negociado em Cuba e selado na segunda-feira passada (26), é a punição aos membros das Farc, que poderiam ir para a cadeia por até 20 anos. Pelo texto do documento, a guerrilha também deveria entregar todas as armas às Nações Unidas, não se envolver mais em crimes como sequestro, extorsão e recrutamento de crianças, romper ligações com o tráfico de drogas e cessar os ataques.
A Colômbia enfrenta uma guerra com as Farc há 52 anos. O conflito já provocou a morte de 220 mil pessoas. A guerrilha tinha prometido que, caso o acordo fosse assinado, se tornaria um partido político. O governo colombiano não precisava submeter o acordo de paz a um plebiscito, mas decidiu convocar a consulta popular para dar legitimidade política à decisão.
A Secretaria-Geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul) informou que vai continuar apoiando a busca pela paz. "Neste momento decisivo para a Colômbia, a Secretaria-Geral destaca o reconhecimento dos resultados alcançados pelo presidente Juan Manuel Santos e outros atores políticos e renova o compromisso de continuar apoiando a Colômbia para que alcance a paz por meio do diálogo", declarou a entidade em nota.


