Presidente paraguaio diz que não renuncia
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segunda-feira, 26 de março de 2001
Associated Press De Assunção 
O presidente paraguaio Luis González Macchi não renunciará ao cargo, apesar das pressões do opositor Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), anunciou ontem Jaime Bestard, porta-voz do Palácio do Governo.
Os liberais, reunidos no domingo em assembléia nacional, autorizaram seus dirigentes a apresentar um pedido formal de demissão do chefe de Estado, considerado por eles incapaz de superar a atual crise econômica e social do país. No entanto, o PLRA ainda não determinou como nem quando apresentará o pedido ao mandatário.
Não há possibilidade de o presidente renunciar, disse Bestard em entrevista coletiva na casa de governo, acrescentando que a atitude dos liberais é uma questão política, normal por parte de opositores.
O funcionário, que tem status de ministro, disse que o governo respeita a decisão da assembléia dos oposicionistas, mas que com o passar do tempo eles perceberão que esse desgaste político foi em vão.
Por outro lado, Bestard assegurou que o vice-presidente Julio Cesar Franco, filiado ao PLRA, não será levado a julgamento político nem lhe será pedido que renuncie, apesar de ele se negar a participar das reuniões do Conselho de Ministros, alegando ter outros compromissos.
O presidente do Congresso, Juan Roque Galeano, dirigente do governista Partido Colorado o mesmo de González Macchi afirmou ontem que o pedido de renúncia dos liberais é um fato normal, porque em qualquer país do mundo democrático a oposição quer chegar ao poder.
O atual chefe de Estado, que assumiu o mandato em 28 de março de 1999 após a renúncia do então mandatário Raúl Cubas, completará em 2003 seu período de governo de cinco anos.
ProtestoMilhares de camponeses começaram a marchar para o centro da capital paraguaia e desrespeitaram uma determinação policial que os proibiu de circular pela avenida adjacente à embaixada dos EUA, na parte de trás da residência presidencial. Os camponeses reivindicam o cumprimento de acordos creditícios firmados pelo governo e o título de propriedade de suas terras.
Sobre o assunto, Bestard disse que o presidente se reunirá com os líderes do protesto para escutá-los. O presidente está consciente de que a atual situação econômica e social é insustentável, e acredita que só dialogando com todos os setores será possível unir esforços e idéias para seguir adiante, indicou o porta-voz governamental.
StroessnerO procurador Juan Carlos Duarte solicitou ao juiz Carlos Escobar que encaminhe ao Brasil pedido de extradição do ex-ditador Alfredo Stroessner pela morte de dois irmãos em dependências policiais nos anos 70. Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba foram sequestrados, torturados e assassinados dia 21 de setembro de 1974, depois de detidos no dia 23 de janeiro do mesmo ano.


