Em uma tentativa de reparar 24 anos de hostilidades e de uma brutal ocupação, o presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, lamentou ontem, em Díli, as violações dos direitos humanos por parte dos indonésios e pediu desculpas aos timorenses.
Wahid é o primeiro chefe de Estado indonésio a visitar Timor Leste desde que seus habitantes votaram a favor da independência. O resultado do referendo desencadeou uma onda de matanças por parte de milícias contrárias à independência.
‘‘Gostaria de me desculpar às vítimas ou às famílias de Santa Cruz e aos amigos que estão enterrados no cemitério militar pelas coisas que aconteceram no passado’’, declarou Wahid. ‘‘Todos são vítimas de circunstâncias que não queríamos.’’
Wahid referia-se ao cemitério de Santa Cruz, onde soldados indonésios massacraram mais de 200 civis desarmados durante um enterro realizado em 1991. O presidente também depositou coroas de flores em um cemitério militar.
Cerca de 12 mil timorenses saudaram Wahid, que discursou da sede das Nações Unidas em Díli. Alguns manifestantes, porém, interromperam Wahid para exigir a libertação de todos os timorenses detidos por líderes indonésios no passado.
Durante sua chegada, ainda no aeroporto de Díli, Wahid foi recebido por José Alexandre ‘‘Xanana’’ Gusmão, o principal líder timorense, pelo Prêmio Nobel José Ramos-Horta e pelo administrador de Timor Leste, o brasileiro Sérgio Vieria Mello.
Xanana saudou Wahid dizendo que a visita era importante para os dois países. ‘‘Você é um símbolo do princípio universal da paz, justiça e democracia’’, disse o líder timorense. ‘‘Você traz esperança ao Timor porque em seu país você pode criar condições para um futuro diálogo e democracia.’’