O presidente eleito do Peru, Alejandro Toledo, deu ontem os primeiros passos na montagem de seu gabinete, confirmando a presença de um de seus principais assessores de campanha, Pedro Pablo Kuczynski, no futuro ministério – não necessariamente o da Economia, segundo ressaltou.
Na tentativa de levar adiante a promessa de campanha de formar um governo de consenso, Toledo ofereceu a chefia do gabinete à líder direitista Lourdes Flores, terceira colocada no primeiro turno da eleição presidencial, em 8 de abril, e iniciou consultas com integrantes do atual Ministério, nomeado pelo presidente Valentín Paniagua. Lourdes rejeitou a oferta do presidente eleito, ressaltando que se manterá ‘‘vigilante’’ durante o governo de Toledo. O presidente, no entanto, disse que insistiria no convite a ela.
Do gabinete de Paniagua, Toledo manifestou a intenção de convidar os ministros das Relações Exteriores e da Justiça, respectivamente Javier Pérez de Cuellar e Diego García Sayán, para manterem-se em seus cargos. Nenhum dos dois convidados comentou o convite. Pérez de Cuellar – ex-secretário-geral da ONU, que acumula também a chefia do gabinete da administração Paniagua – estava hoje na Costa Rica, onde participou da assembléia-geral da OEA. O partido de Toledo, o Movimento Peru Possível, tem apenas 45 deputados do Congresso unicameral de 120 cadeiras.
Enquanto isso, Vladimiro Montesinos, o fugitivo ex-assessor do ex-presidente Alberto Fujimori, deverá responder diante da Justiça comum por sua suposta responsabilidade no assassinato de civis na zona urbana conhecida como Barrios Altos. A ordem foi dada ontem pelo Conselho Supremo de Justiça Militar (CSJM), que anulou uma resolução da Sala de Guerra que inocentava Montesinos.

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