Santiago - A presidente eleita do Chile, Michelle Bachelet, 54 anos, afirmou ontem que sua política externa irá priorizar as relações com a América Latina e disse ver ''compatibilidade'' entre Alca e Mercosul. Em sua primeira entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros após sua eleição, ela afirmou ainda que tem ''grande apreço'' pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que espera manter ''as melhores relações'' com o Brasil.
''Minha política exterior vai ter uma grande prioridade pela América Latina, e vou fazer todo o possível para cada dia ir construindo uma maior integração'', afirmou Bachelet.
O Chile tem problemas históricos com o Peru e a Bolívia. Com o primeiro, por divergências sobre o que seriam os limites marítimos de cada um; com o segundo, pela ausência de uma saída ao mar soberana para os bolivianos.
Já com a Argentina, o Chile resolveu disputas territoriais nos anos 90.
A presidente eleita defendeu ainda avanços na negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O Chile, que tem acordos de livre comércio com os EUA, é associado do Mercosul, bloco formado por Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.
Em novembro, a Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, terminou em um impasse: enquanto os EUA, o Canadá e o México defenderam a continuação das negociações sobre a Alca, Mercosul e Venezuela sustentaram que não havia condições para seguir negociando.
''As agendas do Mercosul e da Alca não são incompatíveis'', sustentou Bachelet. ''Estamos dispostos a avançar a Alca, que implica uma maior integração comercial e aduaneira entre todos os países de maneira a gerar mais riqueza e emprego à região e avançar na solução de muitos problemas de nossos países.''
Tendo em conta as realidades diferentes dos países, sustentou Bachelet, ''o que o Chile vem defendendo é a possibilidade de estabelecer um acordo básico, uma Alca básica, que seja o mesmo para todos e permita que todos os países que estejam em condições optem por isso e que o resto vá avançando na medida em que possa''.

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