São Paulo - O presidente iraquiano de origem curda Jalal Talabani foi reeleito ontem para um novo mandato de quatro anos, apesar do boicote à votação por parte da maioria dos deputados do partido de Iyad Allawi, anunciou o presidente do Parlamento, Osama al-Nujaifi. Após o anúncio de sua eleição, Talabani declarou que ‘‘vai pedir’’ ao primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, para formar o próximo governo do país, oito meses depois das eleições legislativas.
  ‘‘Eu vou nomear o candidato do maior bloco, que é a Aliança Nacional’’, afirmou Talabani aos deputados no Parlamento. ‘‘Pedirei a Maliki para formar o gabinete’’, acrescentou.
  Talabani, que na sexta-feira completa 77 anos, conquistou 195 votos para sua candidatura - 18 deles foram declarados inválidos, informou al-Nujaifi, o deputado sunita do partido Iraqiya do ex-chefe de governo Allawi, eleito mais cedo para presidir o Parlamento.
  No primeiro turno, Talabani não conseguiu a maioria de dois terços dos votos dos deputados, como estabelece a Constituição. Pouco antes da eleição de Talabani, cerca de 60 deputados do Iraqiya abandonaram a sessão como protesto por não terem sido respeitadas, segundo eles, as condições estabelecidas por seu partido para participar da eleição.
  Os resultados das eleições deram uma vitória apertada para a Iraqiya, aliança xiita com apoio sunita, com 91 das 325 cadeiras do Parlamento. Logo atrás, a exclusivamente xiita Estado de Direito, do atual premiê interino, Nouri Al Maliki, obteve 89 cadeiras. A também xiita Aliança Nacional Iraquiana (ANI) obteve 70 cadeiras e outras 43 ficaram com a aliança curda. Eram necessárias 163 cadeiras para um governo sem coalizão.
  A divisão de poder abre caminho para solucionar a crise que paralisa o funcionamento das instituições há oito meses e para o Iraque criar seu primeiro governo sem a presença das tropas de combate americanas no país -o que exige assumir a responsabilidade pela segurança de um país ainda muito afetado pela insurgência terrorista.

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