Presidente dos EUA declara que o Iraque vai se desarmar sozinho ou será desarmado por meio da força
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domingo, 16 de março de 2003
Agência Folha 
São Paulo - O presidente dos EUA, George W. Bush, disse ontem, após a reunião da cúpula tripartite em conjunto com a Grã-Bretanha e Espanha, na base norte-americana de Lajes, nas ilhas dos Açores (que pertencem a Portugal), que hoje será o ''momento da verdade'' para o mundo, referindo-se ao impasse iraquiano.
''Nós concluímos que hoje será o momento da verdade para o mundo. Esta cúpula (nos Açores) é a última iniciativa diplomática para o Iraque se desarmar'', disse Bush. ''O Iraque vai se desarmar sozinho ou será desarmado por meio da força'', completou.
Bush disse que a decisão para evitar uma guerra é apenas de Saddam Hussein (presidente do Iraque), referindo-se ao possível exílio do líder iraquiano. ''Ele (Saddam) pode evitar a guerra, se deixar o governo e livrar o povo iraquiano.''
No mês passado, quando o enviado russo Yevgeny Primakov se encontrou com o presidente iraquiano e sondou-o quanto à possibilidade de partir para o exílio a fim de evitar uma invasão norte-americana, Saddam disse: ''Nasci no Iraque e vou morrer no Iraque.''
''Vamos acelerar o mais rápido possível para (o estabelecimento de) uma autoridade interina iraquiana para aproveitar os talentos do povo iraquiano para reconstruir sua nação. Estamos comprometidos com o objetivo de um Iraque unificado com instituições democráticas'', disse Bush.
O presidente norte-americano também insistiu que tentará um apoio da comunidade internacional. ''Para atingir esta perspectiva, vamos trabalhar de perto com a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas e nossos parceiros na coalizão. Se a força militar for necessária, vamos buscar novas resoluções no Conselho de Segurança para encorajar a participação internacional no processo de ajudar o povo do Iraque a construir um Iraque livre.''
Além de Bush, falaram na entevista coletiva seus dois aliados na iniciativa de agir contra o Iraque, os premiês Tony Blair, da Grã-Bretanha, e José María Aznar, da Espanha. A abertura foi feita pelo premiê de Portugal, José Manuel Durão Barroso, que assistiu à cúpula, mas não participou das discussões.
Por outro lado, o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, disse que os esforços diplomáticos para evitar uma guerra estão chegando ao fim e que Bush tomará a ''difícil, mas necessária, decisão sobre o Iraque em poucos dias''. Paralelo a isso, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, deu sinais de que a guerra está muito próxima, quando pediu que os inspetores e jornalistas deixem o Iraque imediatamente. ''Não há dúvidas de que estamos muito perto do fim dos esforços diplomáticos'', disse Cheney à cadeia de TV norte-americana NBC.
''Claramente, o presidente tem de tomar nos próximos dias uma decisão muito difícil e importante... Estamos na etapa final da diplomacia. É uma das principais razões para a reunião de hoje (ontem)'', disse, referindo-se à reunião ontem nos Açores.
legenda:
Enquanto soldados norte-americanos aguardam operação em porta-aviões, os iraquianos se preparam para a guerra, em uma barricada em Bagdá como se ela fosse começar ''dentro de uma hora''


