São Paulo - O presidente de Timor Leste, Xanana Gusmão, ameaçou renunciar hoje caso o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, não o faça, aprofundando a crise política do país.
''Amanhã (hoje) escreverei uma carta ao Parlamento informando que estou renunciando como presidente da República porque estou embaraçado com todas as coisas ruins que o Estado tem feito com o povo'', disse Gusmão em um pronunciamento de 90 minutos à nação na noite de ontem.
Com o acirramento da crise, milhares de manifestantes de oposição se deslocaram em comboios de mais de cem caminhões durante a noite para as imediações da sede de governo, no centro da capital timorense, Dili, onde eles fizeram acampamento.
''Temo que possa se tornar mais violento, com mais tiroteios e casas incendiadas'', disse Augusto Júnior Trindade, organizador do protesto. ''Com Gusmão renunciando, a situação fica muito difícil.''
Xanana havia pedido a renúncia de Alkatiri por carta na última quarta-feira. A decisão do premier de demitir 600 dos 1.400 soldados do Exército, que estavam em greve, é apontado como o estopim para a onda de violência que tomou Dili em maio.

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