Presidente do supremo tribunal eleitoral peruano deixa o cargo
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terça-feira, 26 de setembro de 2000
France Presse De Lima 
O presidente do Jurado Nacional Eleitoral (JNE) do Peru, Alipio Montes de Oca, renunciou ontem ao cargo. A demissão foi formalizada pelo magistrado ante o tribunal que a está avaliando, disse Jorge Rochabrún, funcionário do JNE.
A carta de demissão foi apresentada dez dias depois que o presidente Fujimori anunciou em mensagem ao país a decisão de convocar eleições gerais o mais breve possível. O presidente anunciou também que não participará como candidato.
Montes de Oca assumiu as funções dia 17 de novembro do ano passado e, de acordo com as normas do órgão eleitoral, deveria permanecer no cargo até o ano 2002. O JNE é um órgão que, segundo os partidos de oposição, era controlado pelo ex-assessor Vladimiro Montesinos.
Nas últimas eleições, nas quais Fujimori foi reeleito para um terceiro mandato consecutivo de cinco anos, o tribunal eleitoral recebeu duras críticas da oposição por irregularidades.
Na gaveta A procuradora de Lima, Nina Rodríguez, arquivou a investigação por corrupção de funcionário público contra o ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN), Vladimiro Montesinos, que aparece numa gravação de vídeo subornando um deputado, conforme anunciou ontem o porta-voz do Ministério Público, Juan Carlos Vicente. O caso ainda será revisado pelo titular do órgão, Arquimedes Pezantes, que deverá ratificar ou revogar a decisão, dentro de algumas horas ou dias. Vicente não deu mais detalhes.
Entretanto, o diário oposicionista Liberación, que antecipara a informação em sua edição de ontem, salientou que a procuradora-geral do país, Blanca Nélida Colán, é amiga de Montesinos e instruiu Nina a não levar o assunto adiante. Segundo o jornal, Nina concluiu que, quando se produziram os fatos, o parlamentar ainda não havia assumido seu cargo, por isso não poderia ser classificado como funcionário público.
A fita em que Montesinos é visto dando US$ 15 mil ao deputado Alberto Kouri para que passasse às fileiras do governo foi divulgada pela oposição no dia 14, desencadeando protestos em todo o país . Dois dias depois, o presidente Alberto Fujimori anunciou a antecipação de eleições presidenciais, das quais não participará. Montesinos refugiou-se no domingo no Panamá, como parte de um acordo mediado pelos EUA e vários países latino-americanos para evitar um golpe de Estado no Peru. Analistas locais asseguram que, se não fosse permitida a saída dele, os militares tomariam o poder.


