São Paulo - O ditador paquistanês, Pervez Musharraf, negou ontem que seus serviços de segurança estejam por trás do atentado que matou dia 27 de dezembro a ex-primeira-ministra e líder da oposição Benazir Bhutto. O caso será investigado por grupo de especialistas britânicos da Scotland Yard.
Musharraf argumentou que nos últimos três meses 19 homens-bomba se explodiram em seu país, matando militares e agentes de inteligência, e que seria ''ridículo'' que colegas das vítimas tivessem a idéia de contratar esses extremistas.
Voltou a afirmar que o atentado contra Benazir foi planejado por militantes islâmicos ligados à Al Qaeda e baseados na fronteira com o Afeganistão. O ditador foi acusado pela oposição de negligência ao não providenciar para a ex-premiê um dispositivo de segurança que impedisse a aproximação e a ameaça dos dois terroristas, o homem-bomba e um indivíduo armado, que atirou contra ela a pouca distância.
Os oposicionistas também rejeitaram a hipótese de Benazir ter sido acidentalmente ferida ao bater com a cabeça na maçaneta do teto solar de seu automóvel, versão divulgada pelo Ministério do Interior.
O ditador disse apenas que ''há incertezas'' sobre as circunstâncias da morte. Enquanto isso, a crise paquistanesa parece ter-se acalmado, com os sucessores de Benazir no Partido do Povo do Paquistão e a oposição islâmica liderada por Nawaz Sharif preparando-se para as eleições de 18 de fevereiro. Elas deveriam em princípio ocorrer na próxima terça-feira.
Um economista do Citigroup, Mushataq Khan, acredita que, ''se Nawaz Sharif continuar a trabalhar em conjunto com o PPP e usar a imagem de Benazir para atacar Musharraf, suas chances de ser bem-sucedido são imensas''.

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